A agência anticorrupção de Hong Kong anunciou a detenção de cinco pessoas por alegada corrupção ligada à manutenção de um edifício residencial, semelhante àqueles em que ocorreu em novembro o incêndio mais mortífero na cidade desde 1948.
A Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês) disse que as detenções surgem após uma denúncia em torno do concurso para o projeto de manutenção de um edifício em Mong Kok, no centro de Hong Kong.
Num comunicado divulgado na terça-feira, a ICAC revelou que deteve cinco homens e duas mulheres, com idades entre 37 e 75 anos, incluindo o presidente da associação de proprietários do edifício.
As detenções aconteceram em 27 e 28 de abril, numa operação contra o que a agência descreve como “um grupo organizado de corrupção”, que incluía um empreiteiro, assim como diretores e um inspetor de uma empresa de consultoria.
As investigações revelaram que o empreiteiro controlava alegadamente a empresa de consultoria, que obteve o contrato de consultoria para o projeto de manutenção a um preço baixo, referiu a ICAC.
O presidente da associação de proprietários do edifício é suspeito de receber subornos para encobrir o esquema, que acabou por não resultar, sublinhou a agência.
Os proprietários “suspeitaram de irregularidades no processo” e o empreiteiro não conseguiu o contrato, no valor de 20 milhões de dólares de Hong Kong (2,18 milhões de euros).
A investigação da ICAC revelou ainda que o inspetor “pode não ter cumprido as suas obrigações de inspeção” do edifício.
A agência diz que impediu ainda que a empresa de consultoria e o empreiteiro conquistassem outros dois contratos a que tinham concorrido, no valor total de seis milhões de dólares de Hong Kong (653 mil euros).
No final de março, a ICAC e a polícia de Hong Kong detiveram 42 pessoas por suspeita de infiltração de grupos da máfia chinesa, conhecidos como tríades, em projetos de manutenção de edifícios residenciais.
As tríades surgiram entre 1842 e 1930, quando membros de sociedades secretas da China emigraram para Hong Kong e formaram organizações de ajuda mútua.
A intervenção ocorre no auge de uma investigação aberta na sequência do devastador incêndio em 26 de novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, que custou a vida a 168 pessoas.
A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio.
O ICAC deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo, por suspeitas de homicídio involuntário, negligência grave e corrupção, incluindo possíveis manipulações nas propostas e utilização de materiais não ignífugos.
A tragédia desencadeou um intenso escrutínio sobre as práticas no setor da manutenção de edifícios, onde se têm acumulado queixas sobre concursos opacos, custos excessivos e riscos para a segurança.













