O tema da desvalorização do euro face ao dólar ganhou especial importância no verão de 2022, altura em que a moeda europeia atingiu o valor mais baixo dos últimos 20 anos.
Na altura, a tendência de descida levou primeiro à paridade entre as moedas (ou seja um euro valer tanto como um dólar), mas mais tarde o euro passou mesmo a valer menos do que a moeda norte-americana.
Esta situação pode não parecer que diz respeito a quem apenas mexe em euros, mas é um assunto bastante complexo e que provavelmente desde que começou a acontecer está a afetar a sua carteira. Por esse motivo, saiba que existem neste momento dois grandes fatores que provocam este fenómeno nomeadamente: a inflação (e a forma como os respetivos bancos centrais estão a lidar com o fenómeno) e os efeitos da Guerra na Ucrânia.
Quais as consequências da desvalorização do dólar?
Com o valor do dólar próximo do euro, as importações ficam mais caras. Ou seja, será preciso gastar mais euros para comprar um determinado produto pago em dólares.
Se numa primeira análise podemos achar que nada disto nos afeta, basta considerar barris de petróleo que são negociados em dólares. Ou seja, com esta moeda mais alta, não só pode ficar mais caro abastecer o carro, como se pode assistir-se a uma subida dos preços dos combustíveis com efeito em toda a cadeia de consumo, desde os transportes à indústria. O que se reflete sempre no preço a cobrar aos consumidores.
O trigo e outras matérias-primas são igualmente negociados em dólares, desta forma, com a desvalorização do euro, importar estes produtos torna-se mais dispendioso para os europeus, sendo esta mais uma razão para as suas despesas mensais aumentarem.
Outra consequência deste aumento são se planear viajar para os EUA ou para outro país onde queira usar dólares nas suas compras, ou como moeda de troca. Neste caso, a desvalorização do euro não joga a seu favor, sendo que o preço da estadia, refeições e compras vai pesar-lhe mais no bolso.
E vantagens?
Apesar deste cenário que parece catastrófico, a desvalorização do euro face ao dólar pode, ainda assim, ser uma boa notícia para a economia portuguesa, nomeadamente no que diz respeito às exportações.
No primeiro semestre de 2022, as exportações nacionais de bens e serviços atingiram 56,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2022, mais 38,1% que no mesmo período do ano passado. Só as exportações para os EUA, o quinto maior cliente em termos globais, registaram um aumento de 79%. Um euro mais fraco pode ajudar a explicar esta tendência de crescimento.
Na realidade, quem compra em dólares, um produto feito em Portugal paga menos e por isso pode comprar mais. O mesmo acontece em relação ao turismo e o imobiliário, setores em que a presença norte-americana em Portugal tem aumentado significativamente e que podem beneficiar da desvalorização da moeda única europeia em relação ao dólar.














