Os técnicos de emergência pré-hospitalar do Instituto Nacional de Emergência Médica marcaram duas paralisações para setembro, nos dias 14 e 28, disse o presidente do STEPH aos jornalistas após a assembleia-geral de trabalhadores.
“Iremos avançar para dois dias de greve geral, para já, nos dias 14 e 28 de setembro. Esperamos alguns constrangimentos, mas também esperamos que, desta vez, o Governo e o INEM estejam mais preparados para uma greve geral do que estiveram há um ano e meio”, salientou Rui Lázaro.
As greves surgem num contexto de contestação à nova lei orgânica do INEM, que entrou em vigor a 1 de agosto, nomeadamente à reorganização do dispositivo nacional de emergência médica.
Os trabalhadores têm manifestado oposição às alterações previstas, que, segundo as estruturas representativas, implicam uma redução significativa do número de ambulâncias atualmente disponíveis.
A reorganização prevê a transferência de 54 ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde e a transformação de 46 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida em viaturas ligeiras de emergência. No total, os trabalhadores falam numa perda de 100 ambulâncias no atual modelo.
“Não estão em causa com esta greve questões laborais e salariais, está sobretudo o desmantelamento do INEM e consequências que isso pode ter para a vida dos cidadãos. Estamos a defender o país e os portugueses ao convocar esta greve, que desejamos que seja desconvocada caso o Governo assuma compromissos nesse sentido”, declarou o dirigente sindical.
O responsável afirma que tem alertado o Governo desde novembro para as consequências destas mudanças e tem criticado a forma como o presidente do INEM tem conduzido o processo.
Segundo os representantes dos trabalhadores, o diálogo com a administração tem sido reduzido. Em nove meses, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar reuniu-se apenas uma vez com o presidente do INEM.
“Este presidente é que se está a manter à margem. Este presidente ignora trabalhadores com mais de 20 anos de experiência”, criticou o dirigente sindical.
A Comissão de Trabalhadores do INEM tinha marcado para esta quinta-feira uma assembleia geral extraordinária, às 14h30, para discutir as próximas formas de protesto. Perante a manutenção do novo modelo, os trabalhadores avançaram agora com duas greves













