A Rússia já marcou o referendo sobre a independência da cidade portuária ucraniana de Kherson para o próximo dia 27 de abril, de acordo com o ‘Kyev Independent’, que cita fontes militares ucranianas.
Apesar de a votação estar agendada, o Comando Operacional Ucraniano Sul já criticou o que classifica como “pseudo-referendo”, porque a Rússia não está interessada na vontade da população local e o “resultado falsificado já é conhecido”.
A Comissária de Direitos Humanos da Verkhovna Rada, Liudmyla Denisova, já tinha referido há uns dias que o referendo deveria ser marcado em breve, apontando na altura para o início de maio. “Durante esse período, os russos pretendem fechar a entrada e a saída de Kherson e desligar todas as comunicações”, sublinhou.
Segundo a responsável, os ocupantes russos usaram o mesmo esquema de ‘pseudo-referendo’ em Luhansk e Donetsk em 2014. Em vez da expressão da vontade do povo, limitaram-se a criar uma imagem necessária para a televisão russa.
“Será difícil para os invasores russos realizar o chamado ‘referendo’, pois os heroicos moradores da região de Kherson continuam a sair às ruas para participar em manifestações contra a ocupação russa com o slogan ‘Kherson é Ucrânia!’, embora os russos usem armas e força para dispersar tais comícios”, observou na altura.
Denisova também apelou à Comissão da ONU para Investigação de Violações de Direitos Humanos durante a Invasão Militar da Ucrânia pela Rússia para ter em consideração esses crimes de guerra e crimes contra os direitos humanos, cometidos pela Federação Russa na Ucrânia.
A responsável recordou que na região de Kherson, invasores russos estão a bloquear corredores humanitários destinados ao fornecimento de alimentos e medicamentos e para fins de evacuação, raptando ativistas locais, chefes de comunidade e deputados.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.
A ofensiva militar causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).













