A Rússia e os EUA estão dispostos a retomar as negociações tendo em vista a redução do arsenal nuclear de cada um dos países. As reuniões deverão voltar a acontecer em breve, mais de oito meses depois de os dois países terem ‘cortado relações’ com a invasão russa à Ucrânia.
Segundo o jornal económico russo Kommersant, que cita três fontes anónimas próximas do processo, as reuniões deverão acontecer já nas próximas semanas e poderão acontecer num país do Médio Oriente, ao invés de ocorrerem em Genebra, como habitual.
Moscovo tem mantido contactos essenciais pontuais com Washington, numa altura em que trava sangrentos combates para manter a anexação ilegal de Kherson. Esta reabertura para discutir a desnuclearização poderá significar o fim de preocupação crescente com uma possível escalada para um conflito nuclear na Ucrânia, criada com as constantes ameaças de Putin e do Kremlin.
É expectável que Washington retome as inspeções previstas no programa ‘Novo Tratado START’, acordo bilateral que prevê a redução de armas nucleares e impõe limites a este tipo de armamento, uma das poucas áreas em que Rússia e EUA disseram estar abertos a cooperação. O diálogo está parado há quase um ano, após os dois países terem estendido o acordo, que prevê a limitação de ogivas nucleares para um máximo de 1550 até fevereiro de 2026.
O processo de desarmamento e de inspeções foi suspenso por Moscovo em agosto, após Joe Biden ter apelado à Rússia e à China para demonstrarem o seu compromisso na limitação de armas nucleares, no rescaldo da imposição de sanções ocidentais à Rússia pela invasão da Ucrânia.
Segundo o Kommersant, o processo foi ‘congelado’ mas os responsáveis russos e norte-americanos mantiveram o contacto remoto sobre o Novo Tratado START. As reuniões de uma reaproximação entre EUA e Rússia, no aspeto da redução se armamento nuclear, já estão a ser preparadas.
Esta informação surge numa altura em que a Rússia parece mais aberta a negociações. Por outro lado, o conselheiro de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, já disse que o país está aberto a negociar, mas, uma vez que Putin não estará pronto a ceder, só abre porta a conversas de paz com um eventual sucessor do presidente russo.













