O eclipse solar total desta quarta-feira promete levar milhões de pessoas a olhar para o céu — e muitas delas terão o telemóvel na mão para tentar guardar uma fotografia ou um vídeo do fenómeno. Mas há um risco que pode passar despercebido: apontar diretamente a câmara para o Sol sem proteção adequada pode provocar danos permanentes no equipamento.
O alerta é destacado pelo ‘El Economista’, que recorda as recomendações do Instituto Geográfico Nacional (IGN) de Espanha. Tal como os olhos precisam de proteção própria para observar o eclipse, também as câmaras devem ser protegidas quando são apontadas diretamente ao Sol.
“Não devemos esquecer o risco que esta prática acarreta tanto para as pessoas como para os equipamentos fotográficos e, portanto, devem ser tomadas precauções extremas”, alerta o IGN, citado pelo jornal espanhol.
O risco não é apenas para os olhos
A principal recomendação para observar um eclipse é conhecida: nunca olhar diretamente para o Sol sem óculos apropriados e certificados para esse efeito. A exposição sem proteção adequada pode provocar lesões oculares graves e permanentes.
Mas quem pretenda fotografar o fenómeno também deve ter cuidados específicos.
Segundo explica o ‘El Economista’, a exposição direta e prolongada à intensa radiação solar pode danificar componentes sensíveis da câmara do smartphone. Por isso, não basta colocar os óculos de eclipse e apontar o telefone ao céu como numa fotografia normal.
A recomendação passa por colocar diante da lente um filtro solar adequado e certificado para observação direta do Sol, nomeadamente em conformidade com a norma ISO 12312-2.
Quando pode retirar o filtro?
Há uma exceção, mas apenas para quem estiver numa zona onde o eclipse seja verdadeiramente total.
Durante a fase exata da totalidade, quando o disco solar estiver completamente coberto pela Lua, o filtro pode ser retirado. Contudo, deve voltar a ser colocado assim que a primeira parte da superfície brilhante do Sol reaparecer.
Esta distinção é particularmente importante porque quem estiver fora da faixa de totalidade não terá esse período de segurança: num eclipse parcial, mesmo que reste apenas uma pequena fração do Sol visível, continua a ser necessária proteção.
Como conseguir melhores fotografias
Além de proteger a câmara, há alguns ajustes que podem melhorar significativamente o resultado das imagens captadas com um smartphone.
O flash deve ser desligado, já que não terá qualquer utilidade para fotografar um objeto a cerca de 150 milhões de quilómetros e poderá apenas incomodar quem estiver por perto.
Também é aconselhável bloquear o foco e a exposição. Na maioria dos smartphones, isso pode ser feito tocando no objeto no ecrã e mantendo o dedo pressionado até surgir o bloqueio AE/AF ou uma indicação semelhante.
Depois, deve reduzir-se a exposição. Diminuir a quantidade de luz captada pelo sensor ajuda a evitar que o Sol apareça simplesmente como uma mancha branca e sobre-exposta, permitindo registar melhor as diferentes fases do eclipse.
Existem ainda aplicações que permitem controlar manualmente parâmetros da câmara, embora as opções disponíveis dependam do sistema operativo e do modelo do smartphone.
Primeiro proteger, depois fotografar
A tentação de conseguir a fotografia perfeita não deve levar a improvisações. O IGN recomenda precauções acrescidas tanto na observação como na utilização de equipamento fotográfico durante o fenómeno.
E há uma regra particularmente simples para esta quarta-feira: os óculos certificados destinam-se a proteger os olhos; para a câmara, é necessário garantir igualmente que existe um filtro solar adequado diante da lente enquanto qualquer parte da superfície brilhante do Sol permanecer visível.
Assim, antes de procurar o melhor enquadramento para uma das fotografias mais raras do ano, convém preparar também o equipamento. O eclipse dura apenas alguns minutos; os danos numa câmara podem ficar para sempre.

















