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Randstad Insight: Não esquecer

Por José Miguel Leonardo | CEO Randstad Portugal

É preciso reagir, andar para a frente, pensar no que vai ser amanhã e depois de amanhã, sem medo mas com a consciência de que ontem não vai voltar. É preciso ter coragem para tomar decisões mesmo que envoltas em incerteza. Decisões que já não são simples reacções ao contexto e que são novas regras, novas formas de trabalhar.

#newways
Nova forma de trabalhar encontrando nos modelos presenciais remotos ou mistos a melhor conjugação entre a produtividade, a conciliação e a felicidade. Uma análise que não pode apenas basear-se no livre arbítrio e que tem de encontrar sustentação quer na função desempenhada (garantia de que são dadas todas as condições), quer na cultura da organização (modelo organizacional tem de ser adaptado e suportado pela comunicação interna e na avaliação de performance), quer na liderança (definição clara dos objectivos e de como estes são medidos, com processos de acompanhamento e de steering). Não podemos ser influenciados pelos que defendem qualquer um dos modelos ou um regresso ao passado, uma defesa sem sustentação, um fundamentalismo como se houvesse apenas uma única resposta para o modelo de trabalho. E esta reflexão deve levar a uma decisão, uma decisão que não deve ser vista como definitiva e imutável, deve ser medida e acompanhada, compreendida e ajustada ao longo do tempo, permitindo a aprendizagem desta nova forma e transformando-a enquanto parte integrante da cultura.

Segurança #newways
Primeiro as pessoas, a sua segurança. E esta é a verdade incontestável, aquela que nem devia ser escrita por ser intrínseca a qualquer empresa e ninguém nunca atentaria contra ela. Mas nem sempre é esta a verdade. Muitas vezes a matemática ganha à humanidade e as pessoas são transformadas em números negligenciando-se medidas de segurança. Nesta nova forma de trabalhar (assim como na antiga) não podemos aceitar que as pessoas estejam em risco. É fundamental a existência de protocolos, o cumprimento das normas de segurança e o papel de cada um e no todo nesta nova forma de trabalhar. Não são apenas as fábricas, nem a agricultura, os trabalhadores temporários, ou a construção. O vírus não escolhe sectores, funções e muito menos vínculos profissionais, a responsabilidade é de cada um e de todos. Não aceitemos as máscaras que não cobrem o nariz, as mãos que não foram higienizadas ou a ausência de distanciamento. Vamos encontrar nesta nova forma o equilíbrio entre o que era e o que tem de ser, colocando sempre as pessoas em primeiro lugar.

Talento #newways
Novas funções surgem com esta nova forma de trabalhar. Funções que permitem acompanhar o cumprimento das medidas de segurança como vemos por exemplo nas lojas que optam por ter uma pessoa a controlar o cumprimento das regras e lotação do espaço ou mesmo no campo, supervisores que acompanham as várias equipas de trabalho tendo como única função a garantia do cumprimento das normas de segurança. Mas o talento não se extingue nas novas funções, até porque o risco para o negócio aumentou no lado humano e por isso o talento ganhou ainda maior importância. Consoante os sectores há necessidade de reforçar perfis clínicos, de limpeza, de atendimento ao cliente que em muitos casos passou de loja física para o online. Nesta nova forma de trabalhar as competências sociais ganham mais destaque e a formação e comunicação são peças fundamentais para o novo contexto.

Eficiência #newways
A criatividade não pode ser colocada em segundo plano e vai ser uma aliada para garangarantir a eficiência das organizações, seja com soluções novas, seja com novas abordagens de processos, garantindo o equilíbrio entre a tecnologia e as pessoas. Esta experiência remota demonstrou-nos não só de como o digital pode ser uma ferramenta de proximidade como ao mesmo tempo são as pessoas que fazem efectivamente a diferença. E por isso temos de preparar o hoje e o amanhã, reconhecendo onde enquanto organização conseguimos ganhar eficiência e como podemos fazer este equilíbrio. Preparar uma segunda vaga mas saber viver com este “novo normal” que hoje todos sabemos que não tem ainda data de fim.

Não esquecer.
Não esquecer.

Vivemos com a pandemia. Os números mesmo que mais curtos não deixam de representar pessoas, o João, a Maria, o Manel… e um é sempre muito e não pode ser banalizado pela comunicação permanente ou com comparações.

Nesta nova forma de viver, nesta nova forma de trabalhar temos de ser ainda mais humanos, temos de fazer a nossa parte e não aceitar que outros não cumpram. Temos de andar com a vida para a frente, ser felizes mesmo que o sorriso esteja atrás da máscara, porque, só assim, um dia vamos ganhar.

 

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 173 de Agosto de 2020

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