Por Ana Paulos, RUN Manager na KLx, campus tecnológico do grupo Crédit Agricole em Lisboa
Quando pensamos em inovação no setor bancário, ou em qualquer outro setor, o que nos passa pela mente são as aplicações modernas, os softwares muito desenvolvidos, a tão falada Inteligência Artificial (IA) e tudo o que faz de uma experiência ser digital. Contudo, e ainda que todos estes fatores tenham importância, muito raramente nos lembramos do papel dos dados e, ainda mais especificamente, da arquitetura de dados. Este sim, é aquele tema de grande relevância para o setor tecnológico, cujo sucesso se reflete no esquecimento. Lembrarmo-nos de que existe é, muitas vezes, prova de que algo falhou.
Imaginemos uma situação em que uma cidade tem os melhores transportes possíveis isoladamente, mas nenhum deles se liga ao outro. No todo, o sistema falha; e isto também acontece quando os dados de uma organização não estão conectados entre si. No setor bancário, a situação é a mesma: para tomar decisões, é preciso dados e, mais do que deles, precisamos que estejam previamente interligados para que haja uma base racional e sólida por trás de cada grande transformação.
Atualmente, com todas as ferramentas tecnológicas que temos à disposição, esta parece ser a parte fácil. Os fluxos de dados são inúmeros, vêm de fontes como pagamentos, CRM, canais digitais e relatórios, e a dificuldade deixa de ser obtê-los, mas sim geri-los e desenhá-los para que se tornem numa construção sustentável: exatamente como acontece com a arquitetura.
É neste sentido que, por trás de cada sistema de dados, está sempre uma grande e complexa equipa composta por: quem percebe as necessidades do negócio (Business Analyst), quem constrói a infraestrutura (Data Engineer), quem analisa os dados (Data Analyst), quem organiza a informação (Data Modeler) e quem garante que tudo cumpre as regras de segurança e qualidade (Data Governance Officer). A tecnologia cria imensas oportunidades, mas são estas pessoas e funções que as transformam em valor, tornando possível fornecer a informação certa à pessoa certa e no momento certo. Estas são as equipas que constroem pontes e que fazem com que as roldanas do sistema funcionem, para que não tenhamos mil fontes de dados, mas um sistema íntegro e a funcionar.
Assim, que da próxima vez que falemos de dados, saibamos que a IA e a automação vêm ajudar-nos a obtê-los e a trabalhá-los, mas que as organizações que realmente se destacarão serão aquelas com o melhor sentido crítico – não as que têm mais dados, mas as que melhor transformam complexidade em clareza e insights em ação. Porque toda e qualquer transformação é também sobre pessoas, e não só sobre tecnologia.



