A Rússia poderá estar a preparar uma operação de falsa bandeira com drones ucranianos para justificar uma escalada contra a NATO ou reforçar a mobilização interna, alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski.
Segundo o ‘Kyiv Post’, Varsóvia suspeita que Moscovo possa lançar drones de origem ucraniana contra um país da NATO — ou até contra território russo — e atribuir depois o ataque a Kiev.
“Suspeitamos que planeia preparar drones ucranianos e utilizá-los para atacar um país da NATO ou a própria Rússia, respondendo depois a esse ataque”, afirmou Sikorski, citado pela agência polaca ‘PAP’.
O chefe da diplomacia polaca considera que Vladimir Putin poderá recorrer a uma provocação deste tipo por estar “desesperado e a perder”, usando o incidente como justificação política e militar para uma nova escalada.
Outros serviços de informações europeus têm igualmente admitido que a Rússia poderá testar a capacidade de resposta da NATO através de provocações limitadas na região do Báltico.
Alguns observadores consideram ainda que uma crise deliberada com a Aliança Atlântica poderia ajudar o Kremlin a justificar uma mobilização geral, numa altura em que as forças russas enfrentam dificuldades de recrutamento.
Sikorski reconheceu, contudo, que Moscovo não terá atualmente capacidade militar suficiente para lançar um ataque convencional contra um Estado-membro da NATO.
O ministro alertou, ainda assim, que a guerra híbrida conduzida pela Rússia contra a Europa continua ativa, incluindo ciberataques, campanhas de desinformação e interferência em processos eleitorais.
As declarações surgem depois de Washington ter avisado Varsóvia, no início de julho, de que a Rússia poderia estar a considerar uma provocação armada em território polaco nos próximos meses, com o objetivo de testar a determinação da NATO.
O ‘Kyiv Post’ recorda que a Polónia já foi alvo de uma provocação direta em setembro de 2025, quando 19 drones russos entraram no seu espaço aéreo e se despenharam no país.
As forças polacas abateram quatro desses aparelhos e Varsóvia invocou posteriormente o artigo 4.º da NATO, que permite consultas entre os aliados quando um deles considera ameaçada a sua segurança.
O incidente levou a novas discussões sobre o reforço da defesa aérea europeia e sobre a criação de uma “muralha de drones”, mas não resultou num confronto militar direto com a Rússia.
Sikorski procurou, apesar de tudo, afastar cenários de pânico. O ministro afirmou que a Polónia se prepara para escaladas com a Rússia “há cerca de 500 anos”, embora tenha insistido que qualquer provocação deve ser levada a sério.














