As plataformas de gelo que suportam os dois principais glaciares da Antárctida estão a sofrer danos rápidos, que podem levar à sua quebra causando consequências graves no aumento do nível do mar, avança a ‘CNN’.
Os glaciares Pine Island e Thwaites, localizados lado a lado no oeste da Antárctida no Mar de Amundsen, são dos que mais sofrem alterações de forma repentina na região, respondendo já por 5% do aumento global do nível do mar, causado pelas mesmas mudanças. Os cientistas dizem que os glaciares são altamente sensíveis às alterações climáticas.
Um novo estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Science, na segunda-feira, descobriu que a estrutura de gelo que suporta os glaciares está a enfraquecer e os danos das últimas décadas estão a contribuir para acelerar um possível colapso.
A equipa de investigadores, liderada por Stef Lhermitte, especialista em satélites da Delft University of Technology, na Holanda, utilizou dados de satélite para documentar o crescimento das áreas danificadas de 1997 a 2019, descobrindo áreas com muitas fendas e fracturas expostas nos glaciares.
Embora a rápida perda de gelo e derretimento desses glaciares da Antárctida tenham sido bem documentados, o novo estudo sugere que pode haver uma desintegração futura das plataformas de gelo.
«Sabíamos que (os glaciares) eram gigantes adormecidos e que estavam a perder muitos quilómetros (de gelo), mas até onde e quanto ainda continua a ser uma grande incógnita», disse Lhermitte. «Essas plataformas de gelo estão na fase inicial de desintegração, começando a despedaçar-se», acrescentou, citado pela ‘CNN’.
O glaciar Thwaites é um dos maiores e mais instáveis da Antárctida. É uma massa gigante de mais de 192.000 quilómetros quadrados, numa área semelhante em tamanho ao estado americano da Flórida ou ao Reino Unido.
Os dois glaciares actuam efectivamente como artérias que ligam o manto de gelo da Antárctida Ocidental ao oceano. Na sua base, há plataformas de gelo flutuantes permanentes que agem como uma fortaleza para o gelo que flui rapidamente atrás delas. A região contém gelo suficiente para elevar o nível global do mar em 1,2 metros, de acordo com a NASA.














