Montepio, José Guilherme e Tomás Correia no centro das buscas da PJ

Em causa, estão suspeitas da prática de crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada.

Executive Digest

As unidades de participação do fundo da caixa económica Montepio é uma das matérias que está a ser investigada desde 2015 e que hoje levou à realização de buscas ao Banco Montepio e à associação mutualista, disse fonte policial.

Fonte oficial da Polícia Judiciária adiantou à agência Lusa que as diligências hoje realizadas a instituições bancárias, sedes de associação, empresas e a residências de alguns clientes bancários visam também a atuação do BNI Europa, banco que pertence ao BNI Angola.

O Banco de Negócios Internacional (BNI Angola) é liderado por Mário Palhares, antigo vice-governador do Banco Nacional de Angola, e o BNI Europa é presidido Pedro Pinto Coelho.

A fonte precisou ainda que, relativamente ao BNI Europa, com sede em Lisboa, investiga-se a intervenção de clientes coincidentes com o Banco Montepio e que participaram na constituição do capital social do banco que tem acionistas angolanos.

A investigação, explicou, debruça-se sobre o aumento de capital da Caixa Económica do Montepio (Banco Montepio) em 2013, a constituição do capital social do BNI Europa e a origem do dinheiro usado por um grupo de clientes para a aquisição de unidades de participação do fundo.

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Os mesmos clientes estão sob suspeita pela forma como participaram na constituição do capital social do BNI Europa.

Outro dos alvos do inquérito, dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa e aberto em 2015, estão também as ligações financeiras do Banco Montepio com o construtor civil José Guilherme e seus familiares.

A mesma fonte assegurou que, de momento, o inquérito não tem detidos nem há arguidos, prosseguindo a investigação.

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As buscas destinaram-se sobretudo à recolha de documentação e outro material probatório.

Em causa na investigação estão suspeitas da prática de crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada, indicam notas da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Judiciária.

Segundo uma nota da Procuradoria-Geral da República, “as diligências incidem sobre um conjunto de clientes de instituições financeiras e de entidades suas detentoras” com o objetivo de recolher prova relativamente a operações bancárias “realizadas por clientes entre 2011 e 2014, bem como documentação relacionada com estas operações”.

No período em causa o Banco Montepio Geral era presidido por Tomás Correia, que deixou o cargo a 15 de dezembro de 2019.

Nas diligências participaram quatro juízes do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e Amadora, quatro procuradores do DIAP, 90 elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, quatro inspetores da Autoridade Tributária e seis elementos do Banco de Portugal.

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