Mariana Mortágua confirma: “Sou candidata à coordenação do Bloco de Esquerda”

Deputada pretende render Catarina Martins na coordenação do partido

Francisco Laranjeira

Mariana Mortágua é candidata à liderança do Bloco de Esquerda: em conferência de imprensa, esta segunda-feira, na sede nacional do Bloco de Esquerda, em Lisboa, a deputada avançou com a intenção de render Catarina Martins como coordenadora do BE na próxima Convenção Nacional.

“Sou candidata à coordenação do Bloco de Esquerda”, anunciou, apresentando uma moção que será subscrita por cerca de 1.300 bloquistas.

“O Governo de maioria absoluta do Partido Socialista desistiu e só atira promessas para cima dos problemas”, frisou a responsável. “A responsabilidade do Bloco é de mostrar que só uma alternativa à esquerda pode criar respostas às pessoas que estão exasperadas com a inflação, com a decadência das coisas importantes da democracia como a saúde, educação e justiça”.

“A política do medo não pode vencer e não basta pôr um espantalho à porta para poder governar contra as pessoas”, criticou Mariana Mortágua. “A direita não leva o país a sério.”

“A quem tem ganhado com a crise, deixo o aviso: não estamos aqui para vos agradar ou dar sossego. O compromisso do Bloco é com quem trabalha, não é com quem se recusa a aumentar salários para fazer crescer os lucros milionários”, referiu. “Queremos um país de respeito por todas as pessoas, sem exceção. É por isso que sou candidata na próxima convenção do Bloco de Esquerda. Respondo que sim porque quero fazer todas as lutas que dão significado à democracia.”

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Mariana Mortágua, que está no parlamento desde 2013 (entrando então para substituir Ana Drago), nasceu em 1986 e é economista, tendo sido o rosto do partido nas comissões parlamentares de inquérito à banca e nas discussões do Orçamento do Estado, entre outros dossiês.

Também para segunda-feira, mas da parte da tarde, está marcada para a sede do partido uma conferência de imprensa para apresentação de uma outra moção, intitulada “Um Bloco plural para uma Alternativa de Esquerda — um desafio que podemos vencer!”, subscrita por nomes como o histórico da UDP Mário Tomé, o antigo deputado Carlos Matias ou Rui Cortes, do movimento Convergência.

De acordo com o calendário da XIII Convenção Nacional do BE, segunda-feira às 17:00 é a data limite para as moções de orientação serem entregues à Comissão Organizadora da Convenção.

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Quando anunciou a sua saída na convenção marcada para os dias 27 e 28 de maio, Catarina Martins manifestou “absoluta tranquilidade” de que havia pessoas “com capacidade, força e preparação” para a substituir no cargo, esperando uma convenção com “soluções de unidade no partido”.

A ainda líder do BE afirmou que a década durante a qual esteve à frente dos destinos do BE foi de “vitórias e derrotas”, explicando que “o que mudou agora” foi “a instabilidade da maioria absoluta” e que a crise “multiplicada dentro do Governo e em choque com a luta popular é o sinal do fim de um ciclo político”.

Catarina Martins esteve na liderança bloquista desde novembro de 2012, na altura em parceria com João Semedo, quando foram eleitos coordenadores do Bloco de Esquerda, então numa inédita liderança “bicéfala”, modelo abandonado dois anos depois, na Convenção Nacional seguinte, em 2014.

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