As obras no terreno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, em São Teotónio, Odemira, deram origem a 108 faturas emitidas por 13 empresas, num total de 23.118,19 euros. Apesar da divulgação detalhada das despesas, continuam por apresentar os respetivos comprovativos de pagamento.
A informação consta de uma lista enviada pelo Ministério da Administração Interna ao ‘Observador’. As faturas foram emitidas entre fevereiro de 2024 e junho de 2026 à Alcampos Unipessoal, empresa detida pela mulher do governante e responsável pela contratação dos trabalhos.
A Construbarcelos, pertencente ao empreiteiro João Carvalho, surge como a empresa com o maior valor faturado. Foram emitidas duas faturas de 2.500 euros, num total de 5.000 euros, correspondente a cerca de 21,6% das despesas conhecidas.
A ligação desta construtora à Polícia Judiciária está no centro da polémica. Entre 2019 e 2025, a empresa celebrou vários contratos de obras com a PJ, período em que Luís Neves exercia funções como diretor nacional daquela polícia.
O ministro rejeita qualquer favorecimento e afirma que só conheceu João Carvalho em 2024, devido aos atrasos numa obra da PJ na Guarda. Luís Neves sustenta ainda que mais de 70% dos contratos com a construtora foram celebrados entre 2019 e 2022, antes de conhecer pessoalmente o empresário.
O Observador assinala, contudo, que cerca de 30% das adjudicações ocorreram entre 2024 e 2025, quando já existia uma relação de proximidade entre ambos. Nesse período, a PJ atribuiu à empresa contratos no valor global de 688 mil euros, integrados num total de cerca de 2,1 milhões de euros.
Entre as restantes empresas, a Os Gregos — Transportes e Móveis faturou 4.521,84 euros, enquanto a Matonio Materiais Construção emitiu 47 das 108 faturas, no valor conjunto de 4.143,19 euros. A M. Rodrigues & Filhos faturou 4.037,20 euros.
A lista inclui ainda despesas com empresas como IKEA, Leroy Merlin, Robert Mauser e vários fornecedores locais de materiais de construção, eletricidade, rega, transportes e produtos agrícolas.
As obras começaram em 2024 e continuam por concluir. O caso está igualmente sob escrutínio por não ter sido apresentada, segundo a informação conhecida, comunicação prévia ou pedido de licenciamento à Câmara Municipal de Odemira.
A questão dos pagamentos permanece por esclarecer. Luís Neves tem defendido que o registo das faturas no portal e-fatura constitui comprovativo suficiente e afirmou que 90% das despesas com materiais foram liquidadas por transferência bancária ou multibanco.
Essa explicação não abrange, porém, de forma inequívoca, o pagamento dos 5.000 euros faturados pela Construbarcelos, o que mantém dúvidas sobre a relação financeira entre a empresa da mulher do ministro e o empreiteiro.
Fonte oficial do Ministério da Administração Interna indicou que toda a documentação considerada relevante será reunida e disponibilizada quando a intervenção estiver concluída. Até lá, o ministério não prevê prestar novos esclarecimentos sobre o caso.
















