O Google Maps, uma das aplicações de maior sucesso da história, com mais de 10 mil milhões de downloads na Google Play Store e cobertura em mais de 250 países e territórios, enfrenta bloqueios ou restrições significativas em alguns Estados, a maior parte deles de regime autoritário. A Newsweek contactou o Google por e-mail, mas não foram reportados comentários adicionais sobre estas limitações.
Apesar da popularidade global, a funcionalidade do serviço não é uniforme, com restrições que variam desde o acesso limitado até bloqueios totais.
Na Coreia do Norte, o Google Maps e a maioria dos serviços de internet são totalmente inacessíveis à população em geral. Apenas alguns funcionários do governo e investigadores têm acesso restrito, muitas vezes sob estrita vigilância, de acordo com relatos de desertores para a Coreia do Sul. Alguns cidadãos têm acesso limitado a uma intranet doméstica fortemente censurada, sem ligação ao exterior.
Na China, o Google Maps, juntamente com outras plataformas norte-americanas como YouTube e Instagram, é bloqueado devido às restrições governamentais conhecidas como “Grande Firewall”. A aplicação de navegação dominante no país é a Amap, desenvolvida internamente, que fornece informações de transporte público e trânsito em tempo real, juntamente com o Baidu Maps.
O Turquemenistão aplica um rígido regime de censura na internet. Embora os serviços do Google, incluindo o Maps, não estejam oficialmente proibidos, o acesso é fortemente restrito, com velocidades lentas e bloqueios frequentes reportados. Para visitantes, recomenda-se utilizar mapas offline.
Cuba e Síria apresentam limitações de funcionalidade
Em Cuba, o Google Maps está acessível, mas carece de funcionalidades em tempo real e de navegação passo a passo, devido a infraestruturas irregulares no país. Os utilizadores são aconselhados a baixar mapas offline antes de viajar.
Na Síria, devastada pela guerra, os serviços de mapas permanecem limitados, com dados incompletos ou desatualizados e ausência de navegação passo a passo. Após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro e a remoção de sanções dos EUA no início do ano, estas funcionalidades e outros serviços Google deverão ser gradualmente restaurados.
Coreia do Sul limita dados de alta resolução por segurança nacional
A Coreia do Sul destaca-se nesta lista como uma democracia consolidada e aliado de longa data dos EUA. Apesar de uma sociedade tecnologicamente avançada, o Google enfrenta restrições significativas para oferecer funcionalidades completas de navegação.
As autoridades sul-coreanas consideram os dados de mapas de alta resolução como um ativo de segurança nacional, proibindo a exportação para servidores fora do país. Até ao momento, o Google recusou instalar servidores necessários localmente.
Em setembro, a empresa concordou, pela primeira vez, em mascarar coordenadas GPS de utilizadores dentro ou fora do país, após já ter aceitado desfocar imagens de locais sensíveis, incluindo instalações militares.
Recentemente, o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes da Coreia do Sul adiou pela terceira vez a sua decisão, exigindo ao Google que apresente documentação suplementar no prazo de 60 dias úteis, ou seja, até 5 de fevereiro de 2026.














