A justiça norte-americana determinou que os documentos relativos ao pedido de visto do príncipe Harry sejam tornados públicos, numa decisão que pode influenciar o futuro do duque de Sussex nos Estados Unidos. O juiz Carl Nichols emitiu a ordem no fim de semana, estipulando que uma versão editada dos registos seja divulgada até 18 de março, com vista a esclarecer se o filho do rei Carlos III forneceu informações falsas sobre o seu histórico de consumo de drogas.
A decisião surge na sequência de uma longa batalha legal promovida pela Heritage Foundation (HF), uma organização conservadora que, desde março de 2023, tem pressionado as autoridades a revelar se o príncipe admitiu ou omitiu o uso de substâncias ilícitas no seu processo de imigração. A polémica ganhou força após a publicação do livro de memórias “Na Sombra”, onde Harry relatou experiências passadas com drogas.
Risco de deportação?
A legislação norte-americana é clara: qualquer candidato a visto que omita ou forneça informações falsas pode enfrentar a recusa do pedido, confiscação do visto ou mesmo deportação. Contudo, a política de imigração dos EUA tem sido aplicada de forma seletiva, e figuras de elevado perfil, como o próprio Harry, podem beneficiar de tratamento diferenciado.
Apesar do risco teórico, Donald Trump, ex-presidente e atual candidato às eleições de novembro, afastou a hipótese de deportação do duque de Sussex. Em declarações ao “New York Post”, Trump afirmou: “Vou deixá-lo em paz. Ele já tem problemas suficientes com a mulher. Ela é terrível”. O ex-presidente não perdeu a oportunidade para criticar Meghan Markle, sugerindo que Harry estaria a ser “manipulado” pela esposa.
A Heritage Foundation apresentou inicialmente o pedido de acesso aos documentos em março de 2023, alegando que a transparência era essencial para garantir que as regras de imigração eram aplicadas de forma equitativa. Washington recusou o pedido, justificando a decisão com o direito à privacidade do duque. No entanto, em outubro do mesmo ano, a HF reforçou a sua pressão, argumentando que o sigilo em torno do caso violava normas de segurança na condução de processos ex parte.
O juiz Carl Nichols analisou o pedido de visto em privado e determinou inicialmente que os registos se manteriam confidenciais. Agora, cedeu parcialmente à pressão e ordenou a divulgação de uma versão editada dos documentos, garantindo que apenas as informações relevantes para o caso serão tornadas públicas.
Nos últimos meses, o príncipe Harry tem mantido um perfil mais discreto, enquanto Meghan Markle continua a expandir a sua presença na indústria do entretenimento. Em fevereiro, o duque de Sussex fez uma rara aparição nos Jogos Invictus, evento desportivo que apoia veteranos de guerra, no Canadá. Por outro lado, Meghan tem multiplicado os seus projetos: recentemente lançou a série “Com Amor, Meghan” na Netflix e anunciou um novo podcast sobre empreendedorismo feminino, previsto para estrear a 8 de abril.
O desfecho do caso de imigração de Harry permanece incerto. Caso se venha a confirmar que omitiu informações, poderá enfrentar complicações legais. Para já, aguarda-se a divulgação oficial dos documentos, que poderão esclarecer a veracidade das declarações do príncipe e determinar o seu futuro nos Estados Unidos.














