Portugal enfrenta neste verão incêndios de grande dimensão, e numa altura em que a maioria está em fase de rescaldo, continuam ainda a arder os fogos do Fundão e vários municípios do distrito da Guarda. Perante a gravidade da situação, ferramentas digitais como o Google Maps e o mapa global de incêndios da NASA estão a tornar-se aliados para acompanhar em tempo real a evolução das chamas, as áreas ardidas e os avisos oficiais.
De acordo com o Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), o incêndio que começou no Piódão, em Arganil, e que entrou em resolução no domingo, consumiu já 64.451 hectares, sendo considerado o maior incêndio de sempre em Portugal desde que há registos. Até agora, o recorde pertencia ao fogo de Vilarinho, na Lousã, em outubro de 2017, que tinha atingido 53 mil hectares.
O concelho do Fundão foi especialmente afetado. Segundo o presidente da Câmara, Paulo Fernandes, “o fogo consumiu mais de 10 mil hectares dos 70 mil do concelho”, sendo ainda dados provisórios. O autarca revelou à agência Lusa que está em curso o levantamento de prejuízos, devendo os resultados estar concluídos até ao final da semana.
A autarquia disponibilizou apoio social e psicológico aos munícipes e assegura também alimentação para os animais dos agricultores atingidos.
No distrito da Guarda, os concelhos da Covilhã (20.257 hectares ardidos), Sabugal (18.726) e Trancoso (17.239) estão entre os mais afetados do país. Seguem-se Sernancelhe, Mêda, Arganil e Penedono, todos com mais de 10 mil hectares destruídos pelas chamas.
Com incêndios de grande dimensão a alastrar em diferentes pontos do país, a tecnologia está a ser uma ferramenta crucial para cidadãos, autoridades e equipas de proteção civil. O Google Maps passou a integrar uma camada específica para incêndios florestais, permitindo visualizar em tempo real as áreas afetadas.
“Os incêndios florestais só aparecem no mapa com certos níveis de zoom. Amplie a imagem para ver no mapa a informação disponível sobre o incêndio”, explica a empresa.
A aplicação oferece três formas de acesso à informação:
- ativar a camada “incêndios florestais” através do menu de camadas;
- procurar diretamente termos como “incêndios florestais” ou o nome do fogo;
- ou clicar nos banners de alerta que surgem automaticamente quando a área visualizada coincide com a de um incêndio ativo.

Estes alertas permitem aceder a dados como a extensão aproximada da área ardida, avisos oficiais e até informações sobre estradas cortadas.
Além disso, a própria Google integra alertas de crise, que também incluem inundações e sismos, aparecendo no mapa sempre que o utilizador procura uma área afetada ou traça uma rota que passa por uma zona de perigo.
o mapa mundial da nasa
Outra ferramenta disponível ao público é o Worldview da NASA (worldview.earthdata.nasa.gov), que permite observar a evolução dos fogos em todo o planeta. A aplicação deteta automaticamente a localização para mostrar o mapa, mas pode sempre usar a ferramenta de procura.
A plataforma recorre a imagens de satélite atualizadas e oferece um motor de busca que permite localizar incêndios em qualquer parte do mundo.














