Os 18 Estados-membros do Fórum das Ilhas do Pacífico não conseguiram alcançar um acordo para uma declaração conjunta a condenar um recente teste de míssil estratégico chinês na região, após um encontro esta sexta-feira nas Fiji.
A China tinha anunciado no início de julho que tinha efetuado, a partir de um submarino nuclear, o teste de um “míssil estratégico” equipado com uma ogiva de treino, que se despenhou no Pacífico.
Este lançamento ocorreu poucas horas após a assinatura de um importante tratado de defesa entre a Austrália e as Fiji, um acordo visto como uma forma de Camberra conter a crescente influência chinesa no Pacífico Sul.
O ministro dos Negócios Estrangeiros neozelandês, Winston Peters, confirmou no final das conversações que dois países-membros se opuseram firmemente a qualquer condenação explícita de Pequim.
Embora não os tenha nomeado diretamente, deu a entender que Quiribati e Nauru, favoráveis a Pequim, tinham pouco interesse em criticar oficialmente um dos seus principais parceiros. No Pacífico, Vanuatu é outro dos apoiantes da China.
“Na realidade, não apresentaram qualquer razão, para além do seu desacordo e do facto de não quererem que fizéssemos declarações claras, como a nossa oposição ao disparo de mísseis no Pacífico”, declarou Peters.
O governante acusou-os de ceder aos “desejos de parceiros externos, em vez daqueles que pertencem ao Fórum das Ilhas do Pacífico”.
O Fórum das Ilhas do Pacífico é uma organização inter-governamental que visa reforçar a cooperação entre os países independentes do Oceano Pacífico.
O Fórum é frequentemente palco de disputa diplomática entre a China e Taiwan, com Pequim a pressionar regularmente para excluir Taiwan das reuniões regionais, enquanto os aliados insulares de Taipé resistem a essas investidas.
Atualmente restam a Taiwan apenas três aliados diplomáticos oficiais na região: Palau, Tuvalu e as Ilhas Marshall, com Nauru a trocar o reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim em 2024.
“Deixámos muito claro que não achamos que atores externos devam dizer aos atores locais — isto é, a nós, que estamos aqui há milhares de anos — qual deve ser a nossa posição”, acrescentou Peters, numa crítica velada à China.
A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros antecede uma reunião plenária dos chefes de Estado e de Governo que se realizará em Palau, em setembro.
Palau figura entre os raros países do mundo que mantêm relações diplomáticas com Taiwan, ilha com um Governo autónomo que Pequim considera parte do seu território.
Tuvalu, outro apoiante de Taiwan no Pacífico, tinha exigido uma declaração conjunta antes do Fórum e indicou não ter sido avisado com antecedência sobre este teste.
Pasuna Tuaga, secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Trabalho e do Comércio do país, precisou que o míssil caiu “muito perto” de Tuvalu e que o país pediu ajuda a várias potências, incluindo os Estados Unidos e a China, para recuperar a ogiva.
“Não queremos ser intimidados por nenhuma potência”, afirmou à margem das discussões.
Os diplomatas reunidos em Suva deviam também debater esta sexta-feira a composição regional do Fórum do Pacífico, determinando quem poderá participar na reunião de setembro.
No ano passado, a reunião plenária realizou-se em Honiara, nas Ilhas Salomão, aliadas de Pequim, que proibiram a maioria dos atores não-membros, incluindo Taiwan, de assistir como de costume às reuniões do Fórum.
Winston Peters tinha condenado essa decisão, vendo nela uma ingerência de “estrangeiros” nos assuntos do Pacífico.
Peters — que lidera o partido populista NZ First — provocou ainda, na semana passada, a ira da embaixada da China e de membros do seu próprio governo depois de ter dito a um deputado de origem chinesa para “voltar para o seu país”.
O ministro classificou a reunião deste ano como “oportuna”, dado o impacto dos acontecimentos mundiais na região, numa alusão ao teste do míssil e às falhas de abastecimento de combustível provocadas pela guerra no Médio Oriente. A região do Pacífico deve “definir uma trajetória comum”, afirmou.














