A guerra entre Israel e o Irão entrou numa nova fase — mais silenciosa, tecnológica e letal. Num mês de conflito, cerca de 250 líderes e comandantes iranianos foram mortos, numa campanha que combina inteligência artificial, espionagem digital e operações militares de precisão, avança o ‘El Español’.
O impacto foi tal que o próprio presidente americano, Donald Trump, admitiu não ter substitutos identificados para os dirigentes iranianos eliminados. Muitos dos nomes que constavam nas listas da inteligência dos EUA estavam já mortos — e outros poderiam nem estar vivos.
No centro desta estratégia está uma evolução das chamadas ‘táticas de decapitação’, que Israel tem vindo a aperfeiçoar ao longo de décadas. O objetivo é claro: eliminar figuras-chave do regime para desestabilizar a estrutura de poder.
Desta vez, porém, há um elemento novo — a inteligência artificial. A enorme quantidade de dados recolhidos por informadores, hackers e sistemas de vigilância passou a ser processada por plataformas capazes de identificar padrões, prever movimentos e sugerir alvos com precisão inédita.
“Estes dados sempre estiveram disponíveis, mas sem IA era impossível processá-los”, explica o analista Raz Zimmt, citado no relatório.
A informação chega de múltiplas fontes: agentes infiltrados em Teerão, ataques informáticos a câmaras de vigilância, plataformas de pagamento e sistemas de controlo digital, bem como a interceção de comunicações através de infraestruturas eletrónicas do próprio regime.
Com base nesses dados, Israel escolhe o método mais eficaz para cada operação. As opções vão desde bombas remotas a mísseis lançados por aviões furtivos ou drones capazes de entrar discretamente em edifícios.
Foi assim que foi possível atingir alvos de alto nível, incluindo o próprio líder supremo Ali Khamenei, cuja morte marcou o início do conflito. A operação terá sido desencadeada após a previsão de uma reunião com o seu círculo mais próximo, identificada através da análise de padrões.
A base desta capacidade tecnológica resulta da cooperação entre o Mossad e a Unidade 8200, especializada em ciberespionagem. Nos últimos anos, estas estruturas aprofundaram a sua presença nos sistemas digitais iranianos, explorando vulnerabilidades e acumulando informação crítica.
Ainda assim, permanece a dúvida sobre a eficácia estratégica desta abordagem. Apesar da eliminação de dezenas de líderes, o regime iraniano continua operacional e mantém capacidade de pressão global, nomeadamente através do controlo do Estreito de Ormuz.
Especialistas alertam que Israel transformou estas operações de ‘decapitação’ numa estratégia central, enquanto os Estados Unidos adotam um papel mais indireto. “Trabalham em conjunto, mas com objetivos distintos”, indicam fontes militares.
A tecnologia trouxe precisão e rapidez, mas não garante resultados políticos imediatos. Um mês depois, a campanha levanta uma questão essencial: eliminar líderes será suficiente para alterar o rumo da guerra — ou apenas uma nova forma de prolongá-la?














