Gigantes do gás desafiam perigo no Estreito de Ormuz: risco de explosão aumenta tensão

Dois navios do Catar desafiam o perigo no Estreito de Ormuz, numa travessia que pode marcar o futuro do mercado global de gás – ou agravar a crise energética.

Patrícia Moura Pinto

A tensão no Golfo Pérsico continua a marcar o mercado energético global, numa altura em que dois gigantescos navios de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar ensaiam uma possível travessia do estratégico Estreito de Ormuz. A operação poderá tanto representar um sinal de normalização das exportações como um risco elevado num cenário de conflito.

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Navios de grande dimensão em movimento cauteloso

De acordo com o El Economista, os metaneiros ‘Al Daayen’ e ‘Rasheeda’, com comprimentos que chegam a equivaler a mais de três campos de futebol, avançaram recentemente em direção à entrada do Estreito de Ormuz, nas proximidades de Omã. No entanto, os dados de navegação indicam que ambas as embarcações abrandaram e recuaram ligeiramente, refletindo a elevada incerteza e risco na região.

Os dois navios tinham carregado GNL na infraestrutura de exportação do Qatar ainda em fevereiro e permaneciam no Golfo Pérsico desde então, à espera de condições mais seguras para seguir viagem. Caso consigam atravessar o estreito, poderão tornar-se os primeiros a exportar gás para fora da região desde o início da guerra com o Irão.

Risco elevado e impacto global

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O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado devido à ameaça de ataques, incluindo minas e drones, bem como interferências nos sistemas de navegação. Este bloqueio tem impacto direto no fornecimento global de energia, afetando cerca de um quinto do comércio mundial de GNL.

O possível sucesso desta travessia teria um forte impacto nos mercados, podendo estabilizar a confiança e incentivar o Catar a retomar as exportações em maior escala. Por outro lado, um incidente poderia agravar ainda mais a volatilidade dos preços energéticos.

Consequências para a Europa e Ásia

Embora a Europa dependa menos do gás do Médio Oriente do que a Ásia, o bloqueio do estreito está a intensificar a concorrência global pelo GNL. Países asiáticos, principais clientes do Catar, continuam a pressionar a procura, o que tem contribuído para o aumento significativo dos preços do gás na Europa.

A situação agrava-se devido aos danos na infraestrutura de Ras Laffan, a maior instalação de exportação de GNL do mundo, que sofreu ataques e cuja recuperação poderá demorar entre três a cinco anos.

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Sinais mistos na região

Enquanto os navios do Catar enfrentam incerteza, outros países começam a testar os limites impostos pelo Irão. O Iraque, por exemplo, anunciou recentemente que os seus carregamentos de petróleo poderão atravessar o estreito após uma isenção concedida por Teerão, numa tentativa de restaurar alguma confiança entre compradores internacionais.

Ainda assim, persistem dúvidas sobre o alcance dessas permissões e sobre a segurança efetiva da rota marítima.

Um teste decisivo para o mercado energético

A eventual travessia dos metaneiros do Catar poderá marcar um ponto de viragem no atual impasse energético global. Mais do que uma simples operação logística, trata-se de um teste à estabilidade da região e à confiança dos mercados internacionais.

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Num contexto de guerra prolongada e riscos elevados, cada movimento no Estreito de Ormuz continua a ser acompanhado de perto por governos, empresas e investidores em todo o mundo.

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