Formação da PSP perde 35 alunos em apenas 15 dias

O número equivale a uma média de duas desistências por dia, revelando uma fragilidade adicional num processo que já começou com menos candidatos do que as 800 vagas previstas em despacho dos ministérios da Administração Interna e das Finanças.

Revista de Imprensa

O curso de formação de novos agentes da PSP, que decorre na Escola Prática de Torres Novas desde 8 de setembro, já registou 35 desistências em apenas duas semanas. Dos 633 alunos inicialmente admitidos, apenas 598 se mantinham no ativo no dia 22. O número equivale a uma média de duas desistências por dia, revelando uma fragilidade adicional num processo que já começou com menos candidatos do que as 800 vagas previstas em despacho dos ministérios da Administração Interna e das Finanças.

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De acordo com o Correio da Manhã (CM), a tutela justificou a incapacidade de preencher todas as vagas com o rigor das provas de seleção. Porém, os sindicatos apontam noutra direção: a falta de atratividade da carreira policial, que, segundo afirmam, continua a afastar potenciais candidatos.

Fonte oficial da PSP confirmou ao jornal que este tipo de desistências “ocorre habitualmente em cursos anteriores”, explicando que “nem todos os candidatos aptos convocados comparecem ao início da formação” e que alguns, “por opção própria, decidem não prosseguir”. No entanto, a mesma fonte sublinhou que os números avançados – 35 desistentes – “são superiores ao registado”.

Perante este cenário, a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, enviou esta semana uma nova proposta de portaria com alterações às regras de admissão. A versão anterior, apresentada pela sua antecessora Margarida Blasco, acabou por ser anulada por falta de negociação com os sindicatos. A nova proposta estabelece que apenas candidatos entre os 18 e os 35 anos, completados até 31 de dezembro do ano do concurso, poderão integrar futuras bolsas de recrutamento.

Para os sindicatos, estas medidas não resolvem o problema estrutural. Carlos Torres, presidente do Sindicato Independente de Agentes da PSP (SIAP), alertou: “Com vagas por ocupar, cursos desertos, tantas desistências e ainda as passagens à pré-aposentação, torna-se muito difícil manter a ordem e a tranquilidade públicas”. O dirigente sindical acrescentou que a solução encontrada tem sido “a sobrecarga de trabalho dos elementos no ativo, com cortes de folgas e restrições no gozo de horas acumuladas”, defendendo “uma reformulação profunda para aumentar a atratividade da carreira policial”.

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A gravidade do problema é reforçada pelos dados internos recentemente divulgados pela PSP: 3546 elementos encontram-se já aptos para a pré-reforma, incluindo 71 oficiais, 543 chefes e 2932 agentes. Muitos destes polícias, alguns com 60 anos de idade, aguardam há vários anos pela passagem para este regime, o que agrava ainda mais o défice de efetivos no ativo.

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