Explicador: Vai o BCE continuar a subir as taxas de juro?

Na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) mostrou o seu foco no combate à inflação, com mais um aumento de 50 pontos-base nas taxas de juro. Mas será que o regulador europeu vai continuar com estas subidas?

André Manuel Mendes

Na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) mostrou o seu foco no combate à inflação, com mais um aumento de 50 pontos-base nas taxas de juro. Mas será que o regulador europeu vai continuar com estas subidas?

“O elevado nível de incerteza reforça a importância de uma abordagem dependente de dados para as decisões de taxa de juros do Conselho do BCE, que serão determinadas pela sua avaliação das perspetivas de inflação à luz dos dados económicos e financeiros recebidos, a dinâmica da inflação subjacente e a força da transmissão da política monetária”, disse, à data, o regulador presidido por Lagarde, em comunicado.

Para Klaas Knot, um dos poucos “falcões” do BCE e também presidente do Banco Central dos Países Baixos, as taxas de juro podem subir menos durante a reunião de maio, no entanto, vê a necessidade de uma nova subida, até porque a turbulência bancária pode ter efeitos a longo prazo sobre a inflação.

Robert Holzmann, que também integra o Conselho do BCE e é Governador do Banco Central da Áustria, o regulador terá de fazer mais em termos de taxas de juro na sua reunião de maio.

Por sua vez, Yannis Stournaras, que preside do Banco Central da Grécia, e que tem uma visão menos hawkish, disse que o BCE não deveria comprometer-se antecipadamente com quaisquer taxas, e que podemos esperar uma queda bastante significativa num futuro próximo.

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“No cenário atual, com um mercado laboral com escassez de oferta, e onde os salários têm subido muito, controlar a inflação não é tarefa fácil e vai requerer mais aumentos dos juros”, considera o analista sénior da ActivTrades, Ricardo Evangelista, que diz à Executive Digest que acredita em novas subidas de 25 pontos-base em junho e julho.

Vítor Madeira também concorda que iremos observar a mais subidas das taxas de juro. “É de notar que em 2012 o BCE exigiu aos bancos mais garantias nos seus rácios e aumento das reservas. Poderá acontecer que neste contexto de instabilidade o BCE possa colocar algumas medidas aos bancos para a segurança do sistema financeiro”.

Ambos também partilham da ideia de que dificilmente veremos um corte antes de 2024 ou enquanto a inflação não descer dos 3%, relembrando que a meta do BCE é os 2%.

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