Explicador. Quem é o homem que pode decidir o Governo da Dinamarca e que lava os dentes com sabão?

Apesar de os sociais-democratas da atual primeira-ministra, Mette Frederiksen, surgirem como os mais votados nas projeções, nenhum dos blocos políticos — esquerda e direita — deverá alcançar maioria

Francisco Laranjeira

As eleições legislativas na Dinamarca, esta terça-feira, podem ser decididas por uma figura improvável: Lars Løkke Rasmussen, antigo primeiro-ministro e atual líder dos Moderados, conhecido tanto pela sua influência política como por episódios pouco convencionais — como já ter usado sabão das mãos para lavar os dentes na ausência de pasta. O retrato é traçado pelo ‘POLITICO’, que aponta o político centrista como peça-chave no desfecho eleitoral.

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Apesar de os sociais-democratas da atual primeira-ministra, Mette Frederiksen, surgirem como os mais votados nas projeções, nenhum dos blocos políticos — esquerda e direita — deverá alcançar maioria no Parlamento de 179 lugares.

Um “equilíbrio instável” que dá poder ao centro

Com os dois blocos praticamente empatados, o partido Moderados, liderado por Rasmussen, poderá conquistar cerca de 12 deputados, tornando-se decisivo para qualquer solução governativa.

O cenário coloca Rasmussen numa posição única: pode viabilizar a continuidade de Frederiksen num Governo centrista ou, em alternativa, apoiar uma solução de direita liderada por Troels Lund Poulsen, líder do Venstre.

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A própria Frederiksen já alertou para esse risco, sublinhando que uma decisão de Rasmussen pode abrir caminho a um Governo de direita.

Rasmussen rejeita rótulos e mantém ambiguidade

Apesar da pressão política, Rasmussen tem insistido na sua posição de independência face aos blocos tradicionais.

O líder dos Moderados já afastou a hipótese de apoiar uma solução claramente à esquerda, rejeitando qualquer acordo que dependa da Aliança Vermelha-Verde, mas também não confirma um alinhamento automático com a direita.

A estratégia passa por manter o partido no centro e maximizar a sua influência no pós-eleições.

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De aliado a potencial adversário de Frederiksen

Nos últimos quatro anos, Rasmussen integrou o Governo de coligação liderado por Frederiksen, juntamente com o Venstre, numa solução centrista pouco habitual na política dinamarquesa.

No entanto, o desgaste político — incluindo críticas à política migratória e à falta de resposta a problemas como a habitação — fragilizou o apoio ao Executivo e reabriu o jogo político.

Uma carreira longa — e ainda com margem para surpresa

Figura dominante da política dinamarquesa há quatro décadas, Rasmussen já foi primeiro-ministro por duas vezes e ocupou várias pastas governativas, incluindo Finanças, Saúde e Negócios Estrangeiros.

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Agora, com um Parlamento fragmentado, surge um cenário improvável mas possível: o próprio Rasmussen voltar a assumir a liderança do Governo, mesmo sem liderar o maior partido.

Analistas admitem que, caso o impasse político se mantenha, essa solução não pode ser excluída.

Um final imprevisível para eleições equilibradas

Apesar de Frederiksen ser a favorita em votos, a tradição parlamentar dinamarquesa — que costuma dar ao partido mais votado o direito de formar Governo — pode ser posta em causa.

Rasmussen já questionou essa lógica e não exclui qualquer cenário, incluindo um regresso ao cargo de primeiro-ministro.

Num contexto de equilíbrio extremo, a decisão de um único líder pode redefinir completamente o mapa político do país.

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