Explicador: Como é que o risco climático vai impactar lucros e carteiras? Eis o que dizem os especialistas

Depois de um 2025 marcado por ruído político, os investidores sustentáveis estão a voltar o olhar para o que realmente importa: compreender o impacto financeiro de eventos climáticos e outros riscos globais nas carteiras de investimento. É a conclusão de uma análise da Allianz Global Investors (AllianzGI).

André Manuel Mendes

Depois de um 2025 marcado por ruído político, os investidores sustentáveis estão a voltar o olhar para o que realmente importa: compreender o impacto financeiro de eventos climáticos e outros riscos globais nas carteiras de investimento. É a conclusão de uma análise da Allianz Global Investors (AllianzGI).

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Segundo o Diretor de Sustentabilidade da consultora, Matt Christensen, fenómenos como inundações, ondas de calor, falhas na cadeia de abastecimento, litígios e mudanças políticas exigem uma avaliação mais precisa dos custos reais e da forma como devem ser incorporados nas decisões de investimento.

Para isso, a AllianzGI aponta para o desenvolvimento de capacidades avançadas de modelação de cenários climáticos, sociais e ambientais. A combinação destas ferramentas com estratégias quantitativas permite avaliar riscos e oportunidades de forma estruturada, melhorando a integração da sustentabilidade na análise financeira.

Seguro e litígios ganham peso

No plano setorial, a AllianzGI sublinha que indústrias como alimentação, água e saúde poderão ser impactadas de forma semelhante ao que aconteceu no passado com tabaco, amianto ou glifosato, à medida que os custos ambientais e sociais se tornam mais quantificáveis. Seguradoras já estão a reforçar a atenção ao risco climático, impulsionadas por perdas económicas crescentes, avanços na modelação e litígios ambientais.

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Entre as áreas que deverão evoluir este ano, a AllianzGI destaca:

  • Integração da localização: Avaliar riscos por geografia permite perceber melhor impactos e dependências em operações e cadeias de abastecimento.
  • Mapeamento avançado: Ferramentas como os “heat maps” ambientais e sociais da Moody’s ajudam a identificar impactos materiais por setor.
  • Captura de controvérsias: Regulamentação europeia pode reduzir o reporte de impactos, mas investidores exigem estimativas mais completas e sofisticadas dos efeitos financeiros de controvérsias.
  • Análise de correlações: Quantificar a interdependência entre fatores de risco será essencial para a modelação financeira e os resultados de investimento.

Embora o preço do risco ainda se centre no clima, a AllianzGI prevê que biodiversidade e questões sociais não estarão muito atrás. A sustentabilidade deverá ser cada vez mais integrada em fatores como risco de mercado, crescimento e rentabilidade, permitindo análises de cenários mais específicas e avançadas para decisões de investimento.

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