A recente queda do governo em Portugal gerou incertezas no panorama político e económico do país, levantando questões sobre o impacto que este evento poderá ter nas finanças públicas e na confiança dos investidores.
Embora a instabilidade política tenha o potencial de afetar negativamente as obrigações soberanas, especialistas e analistas, como Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, apontam que, para já, o efeito da crise política sobre a dívida portuguesa parece ser mínimo, especialmente dado o contexto positivo da economia nacional nos últimos anos.
“Em geral, a instabilidade política é vista pelos investidores como um fator negativo, tornando as obrigações soberanas do Estado menos atrativas, o que pode levar à descida do seu preço e à consequente subida dos juros.” No entanto, no que diz respeito à recente queda do governo português, considerou que “não creio que seja, para já, um motivo suficiente para os investidores começarem a encarar o país com preocupação.”
Ricardo Evangelista destacou que “Portugal tem vindo a reduzir o peso da dívida em relação ao PIB, registando sucessivos superávits orçamentais e um crescimento económico acima da média europeia”, além de receber “avaliações favoráveis por parte das agências de rating.” Deste modo, “o impacto da queda do governo sobre a dívida, caso tenha existido, terá sido mínimo.”
Quanto à subida dos juros da dívida portuguesa, observou que “tem, de um modo geral, acompanhado a tendência verificada noutros países europeus”, sugerindo que a principal razão para este aumento reside “nos desafios geopolíticos que a Europa enfrenta e na possibilidade de uma mudança de paradigma fiscal.” Mencionou ainda que “a necessidade de reforçar os gastos com a defesa já levou, por exemplo, a movimentações que poderão resultar no relaxamento das regras do défice para os países da zona euro.”
O especialista concluiu que, dado o caráter generalizado da subida dos juros da dívida entre os parceiros europeus, “o impacto do chumbo da moção de confiança, a existir, terá sido mínimo.”






