“Este interrogatório nada tem a ver com justiça, mas sim com abuso e violência”. Sócrates reage na chegada ao tribunal

O responsável vai ser interrogado sobre as viagens que tem feito ao Brasil.

Simone Silva

O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, fez uma breve declaração esta quinta-feira aos jornalistas, na chegada ao Campus da Justiça, em Lisboa, onde vai ser interrogado sobre as viagens que tem feito ao Brasil.

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“Este interrogatório nada tem a ver com justiça. Este interrogatório tem apenas a ver com abuso, com violência e com uma encenação que pretende oito anos depois, apresentar-me de novo como alguém que pode fugir à Justiça”, afirmou.

O responsável continuou: “Há oito anos o Ministério Público prendeu-me, explicando à sociedade o que eu tinha feito com base no período de fuga. Oito anos depois voltámos a isso”.

“E o que é absolutamente lamentável é que este processo tenha este padrão, que nada tem a ver com justiça nem com direito, mas com agressão e com maledicência”, acrescentou, mencionando “oito anos de mentiras” e de uma “campanha de difamação contínua”.

Questionado pelos jornalistas sobre se ia responder às questões dos juízes relativas às viagens ao Brasil, Sócrates disse que “não tinha obrigação de dizer” nada, considerando novamente a decisão da juíza “um abuso, contra o qual nós reagimos”. “Eu só dou as explicações que devo dar pela lei”, retorquiu.

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De recordar que o ex-primeiro-ministro vai ser interrogado esta quinta-feira, no âmbito do surgimento de informações sobre alegadas viagens do responsável ao Brasil.

Em causa estão informações dadas pela Interpol sobre as viagens de José Sócrates ao Brasil. Alegadamente, o antigo primeiro-ministro socialista ausentou-se do país por mais de cinco dias sem informar as autoridades, o que viola uma obrigação legal.

Isto porque, José Sócrates tem a medida de coação de termo de identidade e residência (TIR), aplicada no âmbito do processo Operação Marquês, pelo qual ainda aguarda julgamento.

Nesse processo de 2017, o responsável foi acusado de 31 crimes, como corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal. Contudo, na decisão instrutória, em 09 de abril de 2021, o juiz Ivo Rosa decidiu ilibá-lo de 25 dos 31 crimes, pronunciando-o para julgamento apenas por três crimes de branqueamento de capitais e três de falsificação de documentos.

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