Este buraco negro pode ser 100 biliões de vezes mais poderoso do que a Estrela da Morte da ‘Guerra das Estrelas’ (e é real)

Uma equipa de astrofísicos da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, identificou um dos fenómenos mais energéticos alguma vez observados no universo: um buraco negro supermassivo que, nos últimos quatro anos, tem libertado uma quantidade de energia potencialmente até 100 biliões de vezes superior à famosa Estrela da Morte da saga Star Wars.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma equipa de astrofísicos da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, identificou um dos fenómenos mais energéticos alguma vez observados no universo: um buraco negro supermassivo que, nos últimos quatro anos, tem libertado uma quantidade de energia potencialmente até 100 biliões de vezes superior à famosa Estrela da Morte da saga Star Wars.

A descoberta resulta de um estudo agora publicado na revista científica Astrophysical Journal, onde os investigadores descrevem um evento extremo que continua a surpreender a comunidade científica pela sua duração e intensidade.

De acordo com os dados recolhidos, o buraco negro tem vindo a gerar níveis anormalmente elevados de energia desde que destruiu uma estrela próxima, cujos restos continuam a alimentar o sistema.

Jato energético está entre os mais brilhantes alguma vez detetados
O fenómeno manifesta-se através de um jato de radiação extremamente potente, considerado um dos mais energéticos e luminosos já registados no cosmos.

Segundo os cientistas, a força libertada é comparável à de uma explosão de raios gama, um dos eventos mais violentos conhecidos na astrofísica. Em termos populares, a equipa estima que a potência do jato seja “pelo menos um bilião de vezes, senão mais perto de 100 biliões de vezes, mais poderosa do que a infame Estrela da Morte” do universo cinematográfico.

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Além disso, as observações indicam que a emissão de ondas de rádio deverá manter-se intensa ao longo do próximo ano, atingindo o seu pico em 2027.

A astrofísica Yvette Cendes, da Universidade do Oregon, sublinha o caráter invulgar do comportamento deste objeto.

“Isto é realmente invulgar. Ser-me-ia difícil pensar em algo a crescer desta forma durante um período tão longo”, afirmou.

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Apesar de eventos semelhantes — conhecidos como eventos de disrupção tidal — não serem raros, a persistência da emissão energética ao longo de vários anos distingue este caso da maioria.

O que acontece quando uma estrela se aproxima demasiado
Os chamados eventos de disrupção tidal ocorrem quando uma estrela passa demasiado perto de um buraco negro e é destruída pelas forças gravitacionais extremas. As mesmas forças físicas estão na origem das marés oceânicas na Terra, mas em escala cósmica tornam-se devastadoras.

Nesse processo, a estrela é esticada e comprimida num fenómeno apelidado de “esparguetificação”, termo popularizado pelo físico Stephen Hawking. O corpo celeste transforma-se numa estrutura longa e fina, semelhante a esparguete, antes de ser consumido.

Embora estas ocorrências sejam relativamente frequentes, é extremamente raro que um buraco negro continue a emitir tamanha energia anos depois de destruir a estrela, algo que torna este caso particularmente relevante para a investigação.

Energia 50 vezes superior à registada há poucos anos
Cendes revelou ter identificado este evento específico em 2018, mas só lhe deu maior atenção em 2022, quando percebeu que o sistema ainda apresentava uma forte emissão de ondas de rádio.

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Desde então, os dados mostram que a energia transmitida é atualmente 50 vezes mais brilhante do que em 2019.

A radiação está a ser libertada sob a forma de um único jato direcionado numa só direção, enquanto a região em redor do buraco negro emite também luz visível muito ténue.

O objeto recebeu a designação científica AT2018hyz, mas Cendes optou por um nome mais informal e bem-humorado, chamando-lhe “Jetty McJetface”.

Apesar de ainda não ser possível prever até que ponto as emissões energéticas poderão aumentar, a investigadora garante que continua a acompanhar o buraco negro de perto. Paralelamente, está também à procura de outros sistemas semelhantes que possam ter passado despercebidos, já que este tipo de comportamento não tinha sido alvo de grande atenção até agora.

A descoberta poderá abrir novas pistas sobre a física dos buracos negros supermassivos e os limites da energia libertada no universo, ajudando a compreender melhor alguns dos fenómenos mais extremos do cosmos.

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