Três das maiores empresas da área da cosmética a nível mundial preparam-se para deixar de usar pó de talco em alguns dos seus produtos. Segundo avança a agência Reuters, Chanel, Revlon e L’Oréal quererão distanciar-se do número crescente de polémicas e processos legais que associam o pó de talco a cancro.
Documentos a que a Reuters teve acesso mostram que a Chanel removeu este ingrediente de um pó para o rosto e que eliminou por completo um pó corporal devido à percepção negativa em torno do mineral. A Revlon, por seu turno, removeu o talco dos seus produtos para o corpo, ao passo que a L’Oréal indicar estar a explorar alternativas (mas ainda não encontrou nenhuma).
O problema estará no facto de o talco poder ser encontrado, por vezes, nas mesmas rochas que o asbesto, cujo potencial cancerígeno é elevado. Usado em milhares de produtos cosméticos para ajudar a absorver a humidade, por exemplo, tem gerado preocupação ao longo dos últimos anos, à medida que as denúncias de casos de cancro aumentam.
A Johnson & Johnson é a empresa mais afectada, somando milhares de processos em tribunal desde 2013. Segundo a Reuters, o escrutínio em relação a este mineral ganhou dimensão depois de a própria agência noticiosa ter publicado um trabalho de investigação, em 2018, que mostrava que a Johnson & Johnson sabia há décadas da possível existência de asbesto nos seus produtos.
A empresa garante que o pó de talco que produz é seguro e livre de asbesto, mas anunciou no mês passado que deixará de vender o pó de talco para bebé nos Estados Unidos da América e no Canadá devido às vendas fracas e à má publicidade.
E é desta reputação negativa que outros gigantes querem fugir. «Sabemos que era um produto seguro (…) mas decidimos, pela percepção do público, retirá-lo do mercado», afirma a porta-voz da Chanel Amy Wyatt, referindo-se ao pó de talco que a marca vendia com aroma ao perfume Chanel No.5.
A marca de luxo continua, contudo, a vender produtos com talco como ingrediente, como é o caso de sombras de olhos ou blush. Garante que é criteriosamente seleccionado e que cumpre todas as regras globais.














