Recuperar energia é hoje tão importante como produzi-la

Opinião de Miguel Marques, Diretor de Produção da Energest 

Miguel MarquesMiguel MarquesDiretor de Produção da Energest Ver todos os artigos
Miguel Marques
Miguel MarquesDiretor de Produção da Energest Setembro 4, 2026 12:53

Por Miguel Marques, Diretor de Produção da Energest 

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Durante anos, a eficiência energética na indústria foi tratada como uma equação relativamente direta: reduzir consumos, otimizar equipamentos e, sempre que possível, substituir fontes energéticas por alternativas mais económicas ou sustentáveis. No entanto, há uma dimensão que esteve, durante demasiado tempo, subvalorizada. A energia que já foi produzida, mas não foi aproveitada.

Falamos da energia térmica residual.

Em muitos processos industriais, uma parte significativa da energia utilizada não se traduz diretamente em produção útil. Dissipa-se sob a forma de calor, em gases de escape, superfícies quentes ou fluxos intermédios, e acaba muitas vezes perdida para o ambiente. Este desperdício, muitas vezes invisível, representou durante décadas uma oportunidade ignorada.

Hoje, esse cenário está a mudar.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

A crescente pressão sobre os custos energéticos, aliada às metas de descarbonização e à necessidade de maior competitividade industrial, tem vindo a colocar a recuperação de energia térmica no centro da estratégia de muitas empresas. Já não se trata apenas de consumir menos. Trata-se de aproveitar melhor aquilo que já se consome.

A lógica é simples. Recuperar calor onde antes havia perda e reintegrá-lo no processo produtivo. Na prática, isto pode significar pré-aquecer fluidos, produzir vapor, alimentar outros equipamentos ou até gerar energia adicional. O impacto traduz-se em ganhos reais de eficiência, redução de custos operacionais e menor dependência energética.

Mais do que uma solução tecnológica, a recuperação de energia térmica é uma mudança de abordagem.

Implica olhar para os sistemas industriais como um todo, identificar pontos de perda e redesenhar fluxos energéticos. É aqui que muitas vezes reside o verdadeiro desafio. Não está na tecnologia em si, mas na capacidade de integrar soluções de forma inteligente, adaptadas a cada realidade industrial.

Por outro lado, importa sublinhar que este tipo de soluções não está reservado a grandes projetos ou investimentos disruptivos. Em muitos casos, intervenções faseadas e bem direcionadas permitem ganhos progressivos, com retornos claros e mensuráveis. A eficiência deixa de ser um conceito abstrato para passar a ser uma variável de gestão concreta.

Continue a ler após a publicidade

Num contexto em que a transição energética é cada vez mais uma exigência, ignorar a energia térmica residual deixou de ser uma opção.

A indústria tem hoje ao seu alcance ferramentas e conhecimento para transformar perdas em valor. E essa transformação não é apenas técnica. É estratégica.

Porque, no final, eficiência energética não é apenas gastar menos.
É, cada vez mais, saber aproveitar melhor.

 

 

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.