Drones, sensores e guerra eletrónica: a resposta da NATO à “arma migratória” de Rússia

Na fronteira entre a Lituânia e a Bielorrússia, há uma guerra que passa despercebida à maioria dos europeus

Francisco Laranjeira

Na fronteira entre a Lituânia e a Bielorrússia, há uma guerra que passa despercebida à maioria dos europeus. Não há tanques nem bombardeamentos, mas há drones, câmaras térmicas, antenas de guerra eletrónica e militares que vigiam a floresta 24 horas por dia.

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Segundo o ‘ABC’, esta é uma das principais linhas de defesa da NATO contra aquilo que a União Europeia classifica como uma ameaça híbrida: a utilização da migração irregular pela Rússia e pela Bielorrússia como instrumento de pressão sobre os países europeus.

Um “campo de batalha de vidro”

Numa zona florestal de difícil acesso, unidades de guerra eletrónica das Forças Armadas alemãs monitorizam continuamente o espectro eletromagnético.

Com recurso a antenas, radares, câmaras térmicas e sistemas de comunicações, conseguem detetar movimentos suspeitos e intercetar sinais de rádio a dezenas de quilómetros da fronteira.

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Os militares alemães descrevem esta operação como um “campo de batalha de vidro”, onde praticamente tudo pode ser observado em tempo real.

A informação recolhida é partilhada com a estrutura de comando da NATO e, em determinadas situações, estas unidades conseguem também bloquear ou interferir com comunicações consideradas hostis.

A crise que mudou tudo

Segundo o jornal espanhol, a atual estratégia nasceu após a crise migratória de 2021.

Nesse verão, mais de 4.000 migrantes entraram irregularmente na Lituânia em poucos dias. No espaço de um ano, as tentativas de travessia passaram de cerca de uma centena para mais de 12.000.

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As autoridades lituanas concluíram que muitos migrantes eram transportados de avião para Minsk e depois conduzidos até às fronteiras da Lituânia, Polónia e Letónia, onde eram encaminhados pelas próprias autoridades bielorrussas para território da União Europeia.

Bruxelas passou entretanto a considerar esta estratégia uma forma de instrumentalização da migração, enquadrando-a como uma ameaça híbrida e não apenas como uma crise migratória.

Drones, sensores e centenas de quilómetros de barreiras

Desde então, a Polónia, a Lituânia e a Letónia investiram fortemente no reforço das fronteiras.

Foram construídos centenas de quilómetros de cercas e muros equipados com sensores, câmaras, drones, sistemas de vigilância e redes de telecomunicações reforçadas, num projeto conhecido como Linha de Defesa do Báltico.

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Ao mesmo tempo, estes países endureceram as regras de asilo, reforçaram os controlos fronteiriços e recorreram, em alguns casos, ao estado de emergência para limitar o acesso às zonas de fronteira.

A Comissão Europeia disponibilizou cerca de 170 milhões de euros para apoiar estas medidas.

A NATO reforçou a presença militar

Paralelamente, a NATO aumentou a presença militar no flanco leste da Aliança.

Forças multinacionais lideradas pela Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido reforçaram a vigilância na Lituânia, Polónia, Letónia e Estónia, enquanto exercícios militares como o Baltops passaram a incluir cenários relacionados com ameaças híbridas.

Segundo responsáveis citados pelo ‘ABC’, o objetivo é impedir que a pressão migratória evolua para um incidente militar suscetível de ser explorado pela Bielorrússia ou pela Rússia.

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O exemplo apontado a Espanha

Depois da recente crise migratória em Ceuta, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, defendeu que Espanha deveria seguir uma estratégia semelhante.

Segundo o ‘ABC’, Tusk considerou que a militarização da fronteira com Marrocos, acompanhada por barreiras físicas, vigilância tecnológica e um forte destacamento de forças de segurança, constitui uma medida essencial para proteger o Espaço Schengen.

Para o chefe do Governo polaco, o investimento de milhares de milhões de euros realizado pela Polónia nos últimos anos demonstra que a resposta à instrumentalização da migração exige não apenas políticas migratórias, mas também capacidades militares, tecnológicas e de inteligência.

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