Dona do Facebook processa app de IA que “despia” utilizadores e que circulava nas redes sociais

A Meta, empresa-mãe do Facebook, Instagram e WhatsApp, avançou com uma ação judicial em Hong Kong contra a Joy Timeline HK Limited, responsável pelo aplicativo CrushAI. A plataforma, que utilizava inteligência artificial para gerar imagens de nudez falsas a partir de fotos reais, é acusada de violar as políticas de conteúdo sexual das redes sociais ao promover serviços de “striptease digital” sem consentimento dos visados.

Executive Digest

A Meta, empresa-mãe do Facebook, Instagram e WhatsApp, avançou com uma ação judicial em Hong Kong contra a Joy Timeline HK Limited, responsável pelo aplicativo CrushAI. A plataforma, que utilizava inteligência artificial para gerar imagens de nudez falsas a partir de fotos reais, é acusada de violar as políticas de conteúdo sexual das redes sociais ao promover serviços de “striptease digital” sem consentimento dos visados.

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Segundo uma investigação da CBS News, milhares de anúncios do CrushAI foram veiculados no Facebook, Instagram e outras redes parceiras, muitos deles com imagens manipuladas de figuras públicas como Scarlett Johansson e Anne Hathaway. Estes anúncios incluíam links para sites onde os utilizadores podiam enviar fotografias reais de outras pessoas e obter versões com nudez gerada por IA — tudo isto sem qualquer verificação de idade e com valores entre 20 e 80 dólares para aceder a recursos mais avançados.

Governos de vários países têm vindo a agir. Em Espanha, uma nova lei aprovada em março prevê até dois anos de prisão para quem criar ou partilhar imagens sexuais falsas com IA. No Reino Unido, o Ministério da Justiça já considera crime a produção e divulgação de deepfakes pornográficos sem consentimento.

A Meta afirma ter removido milhares de anúncios ligados ao CrushAI e bloqueado páginas e links associados. Foram ainda implementadas restrições a termos de pesquisa como “despir” ou “tirar a roupa” e desenvolvido um novo sistema de deteção de conteúdos manipulados com IA, mesmo quando não exibem nudez explícita.

Apesar dos esforços, aplicações semelhantes continuam disponíveis em plataformas como X (antigo Twitter), Telegram e até nas lojas da App Store e Google Play, muitas vezes disfarçadas como simples filtros de edição de imagem. As autoridades alertam para o uso destes apps como ferramentas de assédio, vingança e chantagem — com mulheres e menores entre as principais vítimas.

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