Do “Made in China” ao “Created in China”: Investimento estrangeiro muda de paradigma

O investimento estrangeiro na China deverá manter uma trajetória de crescimento nos próximos meses, impulsionado pela modernização industrial, pela inovação tecnológica, pela continuação da abertura da economia e pela resiliência económica do país.

André Manuel Mendes

O investimento estrangeiro na China deverá manter uma trajetória de crescimento nos próximos meses, impulsionado pela modernização industrial, pela inovação tecnológica, pela continuação da abertura da economia e pela resiliência económica do país. A expectativa foi avançada esta sexta-feira pela China’s State Administration of Foreign Exchange (SAFE).

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Segundo os dados divulgados pelo regulador, os vários tipos de investimento de investidores estrangeiros na China registaram um aumento líquido de cerca de 160 mil milhões de dólares (cerca de 147 mil milhões de euros) nos primeiros cinco meses de 2026, um desempenho significativamente superior ao verificado no mesmo período do ano passado.

Os números revelam também uma mudança no perfil do investimento externo, com uma crescente concentração em setores de maior valor acrescentado. No primeiro semestre, os fluxos de capital estrangeiro dirigidos aos serviços de alta tecnologia e à indústria transformadora de alta tecnologia aumentaram 61% em termos homólogos, passando a representar 36% do total das entradas de capital, mais 11 pontos percentuais do que no mesmo período de 2025.

Para Zhao Yuchao, porta-voz da SAFE, esta evolução demonstra que o investimento estrangeiro na China está a deixar de assentar apenas nas vantagens de custo e escala associadas ao conceito de “Made in China”, passando a privilegiar uma participação no desenvolvimento de produtos e inovação sob a lógica do “Created in China”.

O responsável considera que a transformação industrial em curso e os avanços tecnológicos estão a criar novas oportunidades de investimento, ao mesmo tempo que proporcionam aos investidores estrangeiros um ambiente mais estável e atrativo para projetos de longo prazo.

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A SAFE destaca ainda que o aprofundamento da abertura institucional da economia chinesa, a melhoria dos serviços de apoio aos investidores e o reforço da conectividade financeira deverão criar condições mais favoráveis para o investimento internacional.

Num contexto de crescente incerteza económica global, Zhao Yuchao defende ainda que a resiliência da economia chinesa e a estabilidade do yuan oferecem aos investidores internacionais mais oportunidades para diversificar os seus ativos, reforçando a confiança no mercado chinês.

O regulador adiantou igualmente que continuará a trabalhar com outros organismos governamentais para acelerar as reformas no domínio do investimento estrangeiro, simplificar os processos de investimento e financiamento transfronteiriço e criar um enquadramento institucional alinhado com os objetivos de abertura económica e desenvolvimento de elevada qualidade, incentivando um maior número de investidores internacionais a apostar em investimentos de longo prazo na China.

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