Covid-19. «O pior vírus é mesmo o do alarme social», afirma Costa

O primeiro-ministro, António Costa, abriu esta quarta-feira o debate quinzenal no Parlamento com uma intervenção sobre «a prevenção e contenção da epidemia Covid-19», na semana em que foram confirmados cinco casos de infecção em Portugal, garantindo haver enquadramento legal na Lei de Bases da Saúde para isolamento obrigatório.

O governante lembrou que a gravidade da epidemia pode levar a medidas como o «internamento hospitalar ou isolamento profiláctico em casa», indo ao encontro do que foi dito na terça-feira pela ministra da Saúde, Marta Temido.

Negou estar a ser «optimista», reiterando que se deve ter «humildade», sendo «factual», e que o executivo tomará todas as medidas determinadas pela Organização Mundial da Saúde e da Direcção-Geral da Saúde. Já sobre o stock de máscara, garantiu que há dois milhões de unidades, ressalvando, ainda assim, que não é recomendável o uso à generalidade da população.

Quanto à proposta do Chega para consagrar o internamento obrigatório na Constituição, Costa atirou: «O pior vírus é mesmo o do alarme social». Mais tarde, voltou a referir que o internamento será «só para os casos mais graves».

Sobre os voos provenientes de Itália, o primeiro-ministro recordou que está já ser feita a rastreabilidade aos passageiros e das pessoas que estão à volta dos mesmos e que estejam com sintomas gripais.

Defendeu ainda que, da União Europeia, só Itália está a fazer o controlo da temperatura nos aeroportos. «Nunca dependerá de mim, mas do aconselhamento da Direcção-Geral de Saúde. Quando entender que deve ser feito, será feito. Sigo disciplinadamente os conselhos técnicos.»

António Costa revelou também que o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, já reuniu com as principais associações empresariais e concluiu que, para já, «o impacto económico para as empresas tem sido moderado ou reduzido», tendo-se verificado uma quebra apenas no sector turístico. O Governo prepara-se, ainda assim, para «lançar uma linha de crédito de apoio de tesouraria às empresas no valor inicial de 100 milhões de euros», adiantou.

A epidemia do novo coronavírus, detectado em Dezembro na China, já infectou pelo menos 93.076 pessoas em 78 países de todos os continentes, das quais morreram 3.202, segundo o balanço mais recente do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. Portugal tem, neste momento, cinco casos confirmados de infecção por coronavírus.

*Em actualização

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