Antigo ministro Peter Mandelson libertado sob caução em Londres

O ex-ministro e embaixador britânico Peter Mandelson foi libertado sob fiança após ser interrogado no quadro da investigação sobre eventuais ligações ao financeiro e criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, dias após a detenção do ex-príncipe Andrew.

Executive Digest com Lusa

O ex-ministro e embaixador britânico Peter Mandelson foi libertado sob fiança após ser interrogado no quadro da investigação sobre eventuais ligações ao financeiro e criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, dias após a detenção do ex-príncipe Andrew.

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Peter Mandelson, figura central da vida política britânica e ex-embaixador do Reino Unido em Washington, foi detido por volta das 17 horas TMG de segunda-feira, por suspeitas de violação de deveres no exercício das suas funções públicas, na sequência de alegações relacionadas com a última série de documentos associados a Epstein.

“Um homem de 72 anos, detido por suspeita de negligência no exercício das suas funções públicas, foi libertado sob fiança enquanto se aguarda o prosseguimento da investigação”, informou esta terça-feira a polícia de Londres, num comunicado divulgado de madrugada, com a agência Presse Association a precisar que se trata de Lord Mandelson.

A BBC e a Sky News mostraram no domingo imagens de Peter Mandelson a sair da sua casa no centro de Londres, acompanhado por dois polícias à paisana, um homem e uma mulher, que o escoltaram até um carro não identificado.

A prisão daquele que foi um pilar do Partido Trabalhista e artífice do New Labour com Tony Blair ocorre após a detenção, na quinta-feira, do ex-príncipe Andrew, outra personalidade britânica envolvida no caso tentacular Epstein.

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O irmão mais novo do rei Carlos III também é suspeito de ter transmitido informações ao criminoso pedófilo norte-americano, quando era representante especial do Reino Unido para o Comércio, de 2001 a 2011. Andrew foi libertado após mais de dez horas de detenção na quinta-feira.

A polícia londrina informou, no dia 3 de fevereiro, que havia aberto uma investigação contra Mandelson, e no dia 6 de fevereiro informou ter revistado duas residências de Mandelson, uma perto de Regent’s Park, em Londres, e outra em Wiltshire (sudoeste de Inglaterra).

Documentos retirados dos arquivos de Epstein, tornados públicos no final de janeiro pelo Departamento de Justiça norte-americano, sugerem que Mandelson terá transmitido ao financeiro norte-americano informações suscetíveis de influenciar os mercados, especialmente quando era ministro no governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.

Os documentos também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (64 mil euros), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva.

O antigo político questionou a autenticidade dos extratos e, ao desassociar-se do Partido Trabalhista, afirmou não se lembrar de ter recebido tais valores e negou ter cometido qualquer irregularidade.

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Em setembro de 2025, Mandelson foi demitido de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, depois de surgirem provas de que manteve contato com Epstein após a condenação do financeiro, encontrado morto numa cela prisional em agosto de 2019, onde quando aguardava julgamento por novas acusações de tráfico sexual.

Todas estas acusações enfraqueceram o Governo trabalhista britânico de Keir Starmer, acusado de ter nomeado Peter Mandelson embaixador em Washington no final de 2024, mesmo sabendo que o ex-ministro e ex-comissário europeu tinha mantido a proximidade com Epstein, mesmo depois de ser condenado por crimes sexuais.

Starmer, que retirou Mandelson dos Estados Unidos em setembro de 2025, após novas informações que o ligavam a Jeffrey Epstein, pediu desculpas, especialmente às vítimas, e o seus chefe de gabinete e diretor de comunicação demitiram-se.

O governo britânico comprometeu-se a publicar todos os documentos relacionados com a nomeação e destituição de Mandelson. Uma primeira parte deverá ser publicada no início de março, informou um membro do governo na segunda-feira.

Segundo a BBC, trata-se de mais de 100.000 documentos, incluindo trocas de e-mails entre o ex-embaixador e membros do executivo. Parte desses documentos são potencialmente sensíveis para a segurança nacional do país, pelo que estão a ser filtrados por uma comissão parlamentar, que tem liberdade para decidir se os torna públicos ou não.

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