Especialistas ambientais consideram que a floresta da Amazónia, no Brasil, corre o risco de ser novamente fustigada pelos incêndios, que destruíram milhares de hectares no ano passado, alertando para o facto de que se nada for feito para proteger a biodiversidade, o cenário «será ainda pior do que em 2019», avança o ‘El Condifencial’.
A desflorestação que origina posteriormente grandes incêndios florestais, cresceu substancialmente em muitas regiões do mundo. Em causa estão as políticas ambientais dos países mais afectados pelo flagelo, que só piorou com a crise do novo coronavírus.
O primeiro grande alerta foi dado no novo relatório da ONG Amazónia IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia). Poucas semanas antes do início da época das queimadas, uma área de cerca de 4.500 quilómetros quadrados está pronta para arder, segundo o documento. Esse espaço remete para áreas desflorestadas no interior da floresta entre o final do passado e o inicio deste.
Contudo, estes números não ficam por aqui. Em Maio o jornal brasileiro ‘Folha de São Paulo’ alertou para a «tragédia anunciada» da desflorestação na Amazónia e explicou que entre Abril de 2019 e Abril de 2020 as áreas desflorestadas tinham registado um aumento de até 94%, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas e Espaço (INPE).
O ritmo não diminuiu, já que em Maio a desflorestação aumentou até 12% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A situação é de tal forma preocupante que o director do IPAM e especialista em incêndios garantiu à imprensa brasileira que se não forem tomadas medidas de controlo, este ano «será ainda pior do que em 2019».
Da mesma opinião é Rosalía Soley, especialista ambiental espanhola. «Nós subscrevemos as palavras destas organizações, pois embora a situação do ano passado tenha mobilizado muitas denúncias, a verdade é que a taxa de desflorestação não diminuiu. Foram tentadas algumas políticas, que não se revelaram eficazes ou não estão a ser levadas a sério porque o problema continua o mesmo», refere citada pelo ‘El Confidencial’.
Os dados do INPE vêm suportar estas declarações, visto que a tendência nas restantes regiões brasileiras indica que a partir de Julho os problemas vão aumentar rapidamente . Os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rondónia registaram um aumento de pontos quentes em relação ao ano anterior, respectivamente: 35%, 44%, 75%, 12% e 42%, segundo dados do INPE.














