ZERO defende “chumbo” do projeto da Almina para mina do Gavião em Aljustrel

A associação ZERO defendeu hoje o ‘chumbo’ do projeto da nova mina subterrânea do Gavião, em Aljustrel, distrito de Beja, argumentando que “ignora a ferrovia”, tem “cálculos climáticos errados” e vai “exportar minério sem estratégia de transformação”.

Executive Digest com Lusa

A associação ZERO defendeu hoje o ‘chumbo’ do projeto da nova mina subterrânea do Gavião, em Aljustrel, distrito de Beja, argumentando que “ignora a ferrovia”, tem “cálculos climáticos errados” e vai “exportar minério sem estratégia de transformação”.

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O cobre é um “mineral crítico para a transição energética”, mas o projeto “ignora a ferrovia, apresenta cálculos climáticos errados, não explica o destino final de milhões de toneladas de resíduos mineiros e não cria em Portugal valor acrescentado industrial”, criticou a ZERO.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a associação ambientalista lembrou que terminou na segunda-feira a consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) deste novo investimento da empresa Almina, concessionária da mina de Aljustrel, mas o projeto “não reúne condições para ser aprovado”.

“A empresa Almina pretende investir cerca de 250 milhões de euros na extração de 1,5 milhões de toneladas de minério por ano, utilizando a lavaria e outras instalações da atual mina de Aljustrel”, disse a associação.

A concretizar-se o investimento, serão exportadas “por camião cerca de 85 mil toneladas anuais de concentrados de cobre e zinco através dos portos de Setúbal e de Huelva”, em Espanha, continuou.

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Para a ZERO, “o problema não reside apenas nos impactes ambientais da mina”, porque o projeto “não explica de que forma os recursos extraídos poderão contribuir para criar em Portugal atividades de valor acrescentado para a transição energética”.

“Portugal suportará o consumo de água, a produção de resíduos, o risco de drenagem ácida, a ocupação de solos de reserva agrícola e ecológica, o corte de 388 sobreiros e azinheiras e a circulação de milhares de camiões”, relatou.

Mas “as fases economicamente mais valiosas continuarão a realizar-se noutros países, aumentando a dimensão das cadeias industriais e multiplicando impactos ambientais”.

“Este é o modelo de uma espécie de ‘colónia mineira’: extrair cá, transformar fora, conservar os impactes, exportar o emprego qualificado, o conhecimento tecnológico, os subprodutos e a maior parte do valor acrescentado, e importar os produtos acabados”, argumentou.

No entender dos ambientalistas, “a omissão mais grave do projeto é a ausência de qualquer avaliação do transporte ferroviário”.

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“O minério de Aljustrel foi transportado por comboio durante décadas e a ferrovia continua a ser utilizada no transporte do minério produzido noutras minas da Faixa Piritosa Ibérica”, só que a Almina “limitou-se a assumir que os concentrados serão transportados por camião para Setúbal e Huelva”, criticou.

O EIA, de acordo com a associação, também “não compara as emissões, o consumo de energia, a poluição atmosférica, o ruído, a sinistralidade e os custos de infraestrutura do camião a gasóleo, do camião elétrico e da ferrovia eletrificada”.

“Não avalia sequer uma solução ferroviária entre a mina e os portos, nem as intervenções necessárias para reativar ou adaptar a antiga ligação ferroviária de Aljustrel”, vincou.

Esta escolha antecipada da rodovia face à ferrovia sem avaliação ambiental, no caso de um projeto que “será responsável pelo transporte regular de concentrados durante muitos anos”, constitui logo “motivo para rejeitar o estudo”, afiançou a ZERO.

Entre outras matérias, a associação alertou que a transformação do minério numa lavaria produz “enormes quantidades de rejeitados”, os quais contêm sulfuretos, pelo que “não podem ser tratados como simples terras ou materiais inertes, uma vez que podem gerar drenagem ácida e libertar metais”.

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A avaliação climática também “não permite saber quanta energia será consumida e quantos gases com efeito de estufa serão emitidos”, disse a ZERO, observando que o EIA “atribui à construção da mina um consumo elétrico anual superior ao consumo do país inteiro e apresenta inúmeros dados contraditórios e inconsistentes para converter o consumo de gasóleo em emissões de dióxido de carbono”.

“Caso sejam licenciados projetos deste tipo, a Estratégia Industrial Verde pode chegar tarde demais”, alertou, insistindo que o projeto do Gavião deve ser ‘chumbado’ porque “deixa em Portugal os custos ambientais e sociais, ignora a ferrovia e exporta o minério sem uma estratégia de transformação”.

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