O Governo afastou definitivamente a possibilidade de transformar a futura linha circular do Metro de Lisboa numa solução “em laço”, que permitiria partilhar a infraestrutura com a futura linha Amarela, entre Telheiras e Odivelas, pelo menos durante as horas de ponta. A alternativa, que voltou a ser analisada depois de os contratos da linha circular já estarem adjudicados e a obra em execução, implicaria 18,13 milhões de euros em alterações e colocaria ainda em causa a utilização dos novos viadutos do Campo Grande, onde já foram investidos 30,1 milhões de euros.
A posição foi transmitida pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação em resposta a questões colocadas pelo grupo parlamentar do PS, conforme noticia o Jornal de Negócios. O ministério, liderado por Miguel Pinto Luz, explica que as alterações necessárias para permitir a evolução da linha circular e da futura linha Amarela para uma operação “em laço” teriam um custo estimado de 18,13 milhões de euros e exigiriam 19 meses de trabalhos. A esse montante teria ainda de ser associado o investimento de 30,1 milhões de euros já realizado nos novos viadutos do Campo Grande, que, segundo o Governo, “ficariam sem utilização e com o inerente risco no plano do financiamento atualmente em vigor para a conclusão da linha circular”. O impacto global entre novos custos e investimento potencialmente desaproveitado aproxima-se, assim, dos 50 milhões de euros.
A estimativa agora apresentada esclarece também a anterior referência a um investimento adicional de cerca de dez milhões de euros. No início de agosto, o Público tinha noticiado que o Metro de Lisboa iria optar pelo funcionamento exclusivamente em sistema circular, apontando para um custo adicional de aproximadamente dez milhões de euros, além dos riscos de atrasos e de incumprimento dos prazos associados ao contrato de financiamento. O Ministério das Infraestruturas esclarece agora que os cerca de dez milhões de euros divulgados publicamente correspondiam apenas ao valor mínimo estimado para a alteração do sistema de sinalização contratado. Para concretizar uma operação “em laço”, seria necessário intervir em várias componentes: a instalação de quatro novos aparelhos de via, ou agulhas, teria um custo de aquisição de 2,4 milhões de euros e demoraria oito meses, enquanto a instalação representaria mais quatro milhões e 12 meses; a sinalização ferroviária, incluindo circuitos de via, software, formação e documentação técnica, custaria dez milhões e exigiria 12 meses; a alteração da sinalética representaria 1,2 milhões de euros e sete meses; e as certificações e homologações acrescentariam 330 mil euros e três meses.
A construção da linha circular foi dividida em quatro lotes, consignados entre 2021 e 2024, e a hipótese de uma operação “em laço” continuou a ser discutida mesmo depois de os contratos de construção terem sido adjudicados, o financiamento assinado e os trabalhos iniciados. O ministério explica que foi igualmente ponderada uma solução “híbrida”, que permitiria alternar entre o funcionamento em linha circular e em laço, nomeadamente durante as horas de ponta. No entanto, estudos externos solicitados pelo Metropolitano de Lisboa terão “demonstrado a inviabilidade da hipótese de operação ‘híbrida’” e confirmado que a solução circular era globalmente mais vantajosa, por apresentar maior resiliência, permitir acomodar frequências mais elevadas a curto e médio prazo e oferecer melhores condições para futuras expansões da rede.
A opção pela linha circular também evita alterações físicas nos viadutos do Campo Grande, embora uma eventual transformação para o modelo “em laço” não exigisse modificar esses viadutos. Seriam, contudo, necessárias intervenções na via-férrea, com a instalação das quatro novas agulhas, e no sistema de sinalização, tanto ao nível do hardware como do software. Além dos custos e dos 19 meses estimados para executar as alterações, o processo obrigaria a novas perturbações no serviço. O Governo prevê que a linha Amarela tivesse de ficar interrompida durante dois meses no troço entre a Cidade Universitária e o Campo Grande, embora as estações permanecessem abertas, enquanto durante o mesmo período a linha Verde continuaria a assegurar circulações entre o Campo Grande e o Cais do Sodré, mas com a estação de Telheiras encerrada. Assim, a solução circular mantém-se como a opção escolhida pelo Governo e pelo Metro de Lisboa, num projeto que o Executivo já apontou como tendo o objetivo de entrar em operação até março de 2027.














