Anamola diz que houve quatro feridos na celebração do partido moçambicano de Mondlane

Quelimane, Moçambique 16 ago 2026 (Lusa) – O partido moçambicano Anamola contabilizou quatro feridos na sequência de disparos efetuados pela polícia para dispersar e impedir uma marcha de celebração de um ano da formação do partido de Venâncio Mondlane, em Quelimane, pedindo responsabilização dos agentes envolvidos.

Executive Digest com Lusa

Quelimane, Moçambique 16 ago 2026 (Lusa) – O partido moçambicano Anamola contabilizou quatro feridos na sequência de disparos efetuados pela polícia para dispersar e impedir uma marcha de celebração de um ano da formação do partido de Venâncio Mondlane, em Quelimane, pedindo responsabilização dos agentes envolvidos.

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Segundo o levantamento do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), um jornalista foi atingido a tiro pela polícia, duas crianças foram atingidas por projéteis de gás lacrimogéneo e um membro do partido sofreu ferimentos após ser picado por abelhas que, segundo a formação política, terão sido dispersadas “propositadamente” pela polícia, estando todos hospitalizados, conforme refere um comunicado.

O partido repudiou o ataque da polícia aos simpatizantes que se preparavam para uma marcha na cidade de Quelimane, centro de Moçambique, esclarecendo que a atividade era do conhecimento das autoridades, incluindo o respetivo itinerário.

“O partido repudia veementemente este ataque violento da PRM [Polícia da República de Moçambique] contra os membros do nosso partido, incluindo crianças, jornalistas e pessoas com deficiência, em pleno exercício dos seus direitos constitucionalmente consagrados”, lê-se no comunicado.

A formação do ex-candidato presidencial quer a abertura imediata de um inquérito “sério e transparente” pelas autoridades, exigindo a responsabilização dos agentes envolvidos nestes atos, além do respeito escrupuloso das leis que garantem a liberdade de reunião e de manifestação pacífica.

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O partido reclama também “a garantia de condições de segurança para a continuação das atividades políticas do partido Anamola em todo o território nacional”.

Após a polícia moçambicana lançar gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes do político Venâncio Mondlane durante uma concentração para uma marcha na cidade de Quelimane, provocando a fuga de populares, o autarca da cidade manifestou “profundo choque” com a atuação da polícia, criticando a postura “musculosa e desproporcional” das autoridades.

Venâncio Mondlane chegou na sexta-feira à cidade de Quelimane para participar nas comemorações do primeiro aniversário do partido que fundou. À chegada, já era visível um forte aparato policial no exterior do aeroporto local.

Num comício realizado no sábado, Mondlane prometeu conduzir o partido à vitória nas eleições autárquicas previstas para 2028, em todos os municípios do país, sustentando que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde 1975, receia perder o escrutínio para a sua formação política.

Nesse contexto, afirmou que os processos judiciais que enfrenta, relacionados com as manifestações pós-eleitorais de 2024, visam intimidá-lo, garantindo não recear uma eventual detenção.

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“Ainda nos vão meter medo com cadeia, nós? Nós próprios, que a morte já não nos mete medo, é a cadeia que vai nos meter medo? Da mesma maneira que dizem que está próximo o julgamento de Venâncio no Tribunal Supremo. Eles acham que estou com medo desse julgamento? Eles acham que estou com medo de cadeia? Até é bom, se levarem o Venâncio para a cadeia, vai ser bom, porque é no mesmo dia que todas as cadeias de Moçambique vão explodir”, declarou.

“Estou a explicar que o Anamola veio para revolucionar Moçambique”, acrescentou, defendendo que o partido já está implantado em todos os distritos, postos administrativos e localidades do país.

Moçambique viveu a sua mais grave crise pós-eleitoral após as eleições gerais de outubro de 2024, na sequência das manifestações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que continua a contestar os resultados que atribuíram a vitória a Daniel Chapo.

Segundo dados da organização não-governamental Plataforma Decide, os protestos provocaram 411 mortos e levaram à detenção de cerca de 7.200 pessoas.

Fundador do Anamola, Mondlane foi eleito, em junho, presidente da formação política por unanimidade durante a sua primeira Convenção Nacional, após ter assumido interinamente a liderança do partido desde a sua criação, em agosto de 2025.

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