Netanyahu chama Reino Unido de “república islâmica” e diz que será a primeira com armas nucleares

As palavras do primeiro-ministro israelita provocaram críticas dentro do próprio país.

Executive Digest

Benjamin Netanyahu voltou a agravar a tensão diplomática com o Reino Unido ao descrever o país como a “república islâmica da Grã-Bretanha” e ao afirmar que será a “primeira república islâmica a possuir uma arma nuclear”.

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Segundo o The Guardian, as declarações foram feitas numa entrevista à rádio do exército israelita, num momento em que as relações entre Londres e Telavive se têm deteriorado.

Netanyahu começou por recordar a cobertura favorável a Israel feita, há décadas, pelo jornalista Randolph Churchill, filho do antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill. A partir daí, contrapôs essa realidade ao Reino Unido atual, referindo-se ao país como “república islâmica da Grã-Bretanha”.

Quando o apresentador lhe perguntou se essa caracterização não poderia ser aplicada também a outros países europeus, Netanyahu foi mais longe e disse que o Reino Unido será a “primeira república islâmica a possuir uma arma nuclear”.

O The Guardian assinala que o Paquistão, cuja designação oficial é República Islâmica do Paquistão, possui armas nucleares desde a década de 1990.

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Relações com Londres deterioraram-se nos últimos meses

As palavras do primeiro-ministro israelita surgem num contexto de crescente afastamento entre Israel e o Reino Unido.

Pouco antes de assumir o cargo de primeiro-ministro britânico, Andy Burnham pediu desculpa pela resposta inicial do Partido Trabalhista à ofensiva israelita em Gaza, admitindo que o partido “não acertou” na sua posição.

Já em julho, Burnham afirmou que pretendia aumentar a pressão sobre o Governo israelita, incluindo através de novas sanções contra indivíduos e entidades e da eventual proibição do comércio de bens provenientes de colonatos considerados ilegais.

Este endurecimento da posição britânica ajuda a explicar o ambiente de confronto em que surgem agora as declarações de Netanyahu.

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JD Vance já tinha usado uma formulação semelhante

A ideia utilizada por Netanyahu não é nova.

Durante a campanha presidencial dos Estados Unidos em 2024, JD Vance, hoje vice-presidente, afirmou que o Reino Unido poderia tornar-se o primeiro país “verdadeiramente islamista” a obter uma arma nuclear.

O The Guardian lembra ainda que Sadiq Khan, presidente da Câmara de Londres, tem sido alvo frequente de ataques de líderes de direita estrangeiros, incluindo Donald Trump.

As declarações surgem também numa altura em que líderes muçulmanos no Reino Unido têm alertado para o aumento dos crimes de ódio contra a comunidade e para o crescimento da retórica de extrema-direita e anti-imigração.

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Oposição israelita critica Netanyahu

As palavras do primeiro-ministro israelita provocaram críticas dentro do próprio país.

Avi Dabush, candidato ao Knesset pelo partido Democratas, da oposição, acusou Netanyahu de atacar um aliado internacional numa altura em que Israel enfrenta um forte isolamento externo.

Dabush associou o episódio a um “falhanço diplomático” e à incapacidade do Governo israelita para mobilizar apoio internacional em defesa dos interesses do país.

Segundo o The Guardian, Netanyahu tem-se afastado de aliados tradicionais ao mesmo tempo que se aproxima de figuras da direita radical.

Até à publicação da notícia, o gabinete do primeiro-ministro israelita não tinha esclarecido se as declarações representam a posição oficial do Governo.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico também não tinha respondido aos pedidos de comentário.

Esta versão tem mais fio: começa na frase polémica, explica de onde ela veio, liga-a ao conflito diplomático com Londres e só depois abre para o contexto político e para as reações.

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