Tribunal Constitucional alemão defende-se: “BCE não é o mestre do universo”

Um dos magistrados do órgão alemão, que decidiu que o BCE ‘exagerou’ nas compras de dívida, ressalvaa que a autoridade monetária deve justificar as suas ações àqueles a quem prejudica.

Sónia Bexiga

“O BCE deve assumir a sua responsabilidade perante a opinião pública e explicar a sua motivação sobretudo a quem  sofreu perdas devido às suas ações. O BCE não é o mestre do universo”, defendeu Peter Michael Huber, membro do Tribunal Constitucional alemão que recentemente decidiu que o Banco Central Europeu (BCE) ultrapassou o seu programa de compra de dívidas, citado pelo ‘Expansion’.

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Segundo o magistrado alemão, o tribunal não exige que a autoridade monetária se abstenha das compras de dívida, nem estipula o seu conteúdo, mas “apenas queremos uma prova de que isso ainda está dentro do seu mandato”, reforça.

Quanto desta posição do tribunal ocorrer num momento delicado para o Velho Continente, face à crise dos coronavírus, Hubert enfatizou que “não podemos esperar um tempo melhor”, alegando que “nunca haveria um momento favorável. 

Recorde-se que, na semana passada, o Tribunal Constitucional alemão decidiu que o BCE excedeu as funções com o seu tradicional programa de compra de dívida (PSPP). E esta declaração veio num tom de ultimato: ou é capaz de justificar a proporcionalidade de suas ações dentro de três meses ou o Bundesbank será forçado a abandonar as compras de dívidas e até vender (dentro de uma estratégia coordenada) mais de meio trilião de títulos alemães comprados sob este programa.

Até hoje, o BCE confirmou ter tomado conhecimento da decisão alemã mas assegurou que continuará com as suas compras garantidas pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

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Christine Lagarde, presidente do BCE, sublinhou mesmo que “farão o necessário para cumprir o seu mandato, sem hesitações”. Por seu turno, Luis de Guindos, vice-presidente do BCE, destacou que a instituição deve ser responsabilizada e já é, mas perante as autoridades competentes, ou sejam, o TJUE, Tribunal de Contas da União Europeia e o Parlamento Europeu.

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