O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em visita a Belgrado, discutiu hoje com o homólogo sérvio, pró-russo, questões de energia, segurança e adesão à União Europeia, mas a exportação de armamento para a Ucrânia foi negada por Vucic.
A visita de Zelensky à Sérvia, país liderado pelo populista e nacionalista Aleksadar Vucic, próximo das posições de Moscovo, foi uma tentativa de afastar a Sérvia do lado russo, segundo disse à AFP na quinta-feira, antes da visita oficial, um alto responsável ucraniano sob anonimato.
E ainda que o Presidente ucraniano tenha evocado discussões sobre temas de segurança, a questão permanece um assunto delicado.
Questionado na conferência de imprensa de hoje, o Presidente sérvio negou as informações sobre alegadas exportações de material militar e munições da Sérvia para a Ucrânia.
Os serviços de inteligência russos acusaram em maio de 2025 as empresas de armamento sérvias de venderem munições à Ucrânia, via países terceiros, “apesar da neutralidade oficial de Belgrado”, mas Vucic garantiu na altura que ordenaria que os contratos não fossem executados “se houvesse suspeitas” de que destinatário final fosse Kiev, acrescentando que a Sérvia iria parar todas as exportações de armas, munições e material militar.
Kiev tem uma enorme falta de munições, o que levou Zelensky a Washington no final de julho para tentar obter mais sistemas antímíssil Patriot, o que o presidente Donald Trump terá negado com base em reservas baixas devido à guerra no Médio Oriente.
Em conferência de imprensa hoje em Belgrado, ao lado de Vucic, o presidente da Ucrãnia adiantou que os ataques russos fizeram em 24 horas 13 mortos e 77 feridos.
Os ataques russos à Ucrânia fizeram nas 24 horas entre sexta-feira e sábado de manhã 13 mortos e 77 feridos, sobretudo devido a drones e mísseis balísticos, com 12 regiões a serem atacadas pelo exército russo,
“Quase diariamente, a cada noite, já no quinto ano da guerra, a Ucrânia vê-se obrigada a resistir e suportar isto”, disse Zelensky, na sua primeira visita à Sérvia, país que não aderiu às sanções europeias contra Moscovo devido à invasão da Ucrânia.
Segundo o Presidente ucraniano, a maioria dos ataques dirige-se a instalações vitais para a vida de civis.
“Não temos uma única central elétrica que não tenha sido atacada. Estações ferroviárias, hospitais, universidades, empresas públicas”, enumerou.
Zelensky pediu mais apoio financeiro aos seus aliados ocidentais, mais capacidades antimíssil e novas sanções que impeçam a Rússia de produzir mísseis.
O líder ucraniano agradeceu a Vucic a ajuda humanitária da Sérvia à Ucrânia, nomeadamente em matéria de ajuda médica e energia, e o apoio para manter a sua integridade territorial.
A Sérvia e a Ucrânia assinaram hoje em Belgrado um memorando de entendimento em matéria de agricultura e um memorando de cooperação no âmbito da saúde animal e da segurança alimentar.
Vucic, por seu lado, destacou que a Sérvia e a Ucrãnia elevaram consideravelmente o nível de trocas comerciais, referindo que no ano passado o valor rondou os 450 milhões de dólares americanos e que só nos primeiros seis meses deste ano já atingiu os 321 milhões de dólares.
A visita de Zelensky à Sérvia acontece poucas semanas depois de uma cimeira entre a Ucrânia e os países balcânicos em Kiev, onde Vucic foi o único líder que não assinou a declaração conjunta final do encontro.
De acordo com Vucic, as conversações com Zelensky na noite de sexta-feira e hoje em Belgrado centraram-se em temas bilaterais, comerciais e no caminho de ambos os países em direção à União Europeia (UE).
No entanto, mostrou-se pessimista sobre a unidade dentro da UE para receber nos próximos tempos novos membros, já que, segundo disse, sem dar mais detalhes, “há sempre alguns membros que se opõem”.
Por isso, acrescentou, a Sérvia “centra-se no desenvolvimento económico e acordos sobre o livre comércio” com os países da UE.
Desde a chegada ao poder de Vucic, em 2014, a Sérvia estagnou no seu caminho de adesão à UE, quer por falta de alinhamento geopolítico, como por retrocesso democrático e degradação do Estado de Direito.














