A equipa ISTrain, do Instituto Superior Técnico, conquistou cinco distinções na edição de 2026 da IMechE Railway Challenge, competição internacional de engenharia ferroviária realizada no Reino Unido, destacando-se com um projeto que propõe a reativação da antiga linha do Transpraia entre a Praia da Saúde e a Fonte da Telha.
A proposta valeu à equipa a vitória no Business Case Challenge, um dos desafios abertos a todas as equipas participantes. O estudo analisou a viabilidade de um serviço ferroviário de passageiros num percurso de cerca de 6,5 quilómetros, com o objetivo de melhorar a mobilidade ao longo da frente costeira durante os meses de maior procura, reduzindo a pressão sobre o transporte rodoviário e oferecendo uma alternativa mais sustentável para residentes, visitantes e operadores locais.
No modelo financeiro desenvolvido, o ISTrain avaliou quatro cenários de exploração sazonal ao longo de uma concessão de 15 anos, tendo em conta fatores como a procura de passageiros, receitas de bilhética, custos operacionais, investimento inicial em locomotivas e postos de carregamento e taxas de concessão progressivas. Segundo a equipa, o cenário mais ambicioso permitiria atingir resultados positivos logo no primeiro ano de operação e um retorno acumulado superior a 1,29 milhões de euros ao fim de 15 anos, com uma margem de lucro superior a 40% na fase de maturidade do projeto.
Além da vitória no Business Case Challenge, a equipa portuguesa foi distinguida como Best Entry Level Team, prémio atribuído à melhor equipa estreante na competição. Na mesma categoria conquistou ainda o CAD Challenge, o Innovation Challenge e o Technical and Aesthetic Poster Challenge, somando um total de cinco prémios na sua estreia internacional.
Na vertente tecnológica, um dos principais destaques foi o desenvolvimento de um eixo híbrido em fibra de carbono e tubo metálico, solução que permitiu reduzir em cerca de 80% o peso deste componente estrutural sem comprometer a resistência necessária para uma locomotiva. O conceito foi validado através de software especializado e pretende responder às exigências da indústria ferroviária em matéria de eficiência, redução de emissões, fiabilidade e otimização operacional.
A locomotiva desenvolvida pela equipa, batizada de “Andorinha”, foi concebida com uma estrutura em vigas para facilitar a montagem e a produção numa fase inicial do projeto. O sistema integra baterias de 24V e 100Ah, dois motores elétricos BLDC de 3,5 kW, travagem regenerativa, travagem pneumática com mecanismos de segurança e uma arquitetura de controlo baseada em TCMS com comunicação CAN Bus.
Com a edição de 2026 concluída, o ISTrain já prepara a participação do próximo ano. A equipa está a desenvolver um novo protótipo para competir em 2027, desta vez focado numa locomotiva totalmente operacional. Entre os trabalhos em curso encontram-se o desenvolvimento de um sistema de suspensão secundária, a validação do sistema pneumático de travagem em condições reais, a implementação do sistema de controlo numa bancada de testes e a otimização de diversos componentes com base no feedback recolhido junto de outras equipas internacionais.
Para os responsáveis pelo projeto, a participação na Railway Challenge vai além da competição, funcionando como uma plataforma de ligação entre estudantes, academia e indústria, ao mesmo tempo que demonstra o potencial da engenharia portuguesa para contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras no setor ferroviário.














