Caso Luís Neves: faturas revelam 23 mil euros em obras e deixam pagamentos por esclarecer

Informação consta de uma lista enviada pelo Ministério da Administração Interna ao ‘Observador’

Francisco Laranjeira

As obras no terreno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, em São Teotónio, Odemira, deram origem a 108 faturas emitidas por 13 empresas, num total de 23.118,19 euros. Apesar da divulgação detalhada das despesas, continuam por apresentar os respetivos comprovativos de pagamento.

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A informação consta de uma lista enviada pelo Ministério da Administração Interna ao ‘Observador’. As faturas foram emitidas entre fevereiro de 2024 e junho de 2026 à Alcampos Unipessoal, empresa detida pela mulher do governante e responsável pela contratação dos trabalhos.

A Construbarcelos, pertencente ao empreiteiro João Carvalho, surge como a empresa com o maior valor faturado. Foram emitidas duas faturas de 2.500 euros, num total de 5.000 euros, correspondente a cerca de 21,6% das despesas conhecidas.

A ligação desta construtora à Polícia Judiciária está no centro da polémica. Entre 2019 e 2025, a empresa celebrou vários contratos de obras com a PJ, período em que Luís Neves exercia funções como diretor nacional daquela polícia.

O ministro rejeita qualquer favorecimento e afirma que só conheceu João Carvalho em 2024, devido aos atrasos numa obra da PJ na Guarda. Luís Neves sustenta ainda que mais de 70% dos contratos com a construtora foram celebrados entre 2019 e 2022, antes de conhecer pessoalmente o empresário.

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O Observador assinala, contudo, que cerca de 30% das adjudicações ocorreram entre 2024 e 2025, quando já existia uma relação de proximidade entre ambos. Nesse período, a PJ atribuiu à empresa contratos no valor global de 688 mil euros, integrados num total de cerca de 2,1 milhões de euros.

Entre as restantes empresas, a Os Gregos — Transportes e Móveis faturou 4.521,84 euros, enquanto a Matonio Materiais Construção emitiu 47 das 108 faturas, no valor conjunto de 4.143,19 euros. A M. Rodrigues & Filhos faturou 4.037,20 euros.

A lista inclui ainda despesas com empresas como IKEA, Leroy Merlin, Robert Mauser e vários fornecedores locais de materiais de construção, eletricidade, rega, transportes e produtos agrícolas.

As obras começaram em 2024 e continuam por concluir. O caso está igualmente sob escrutínio por não ter sido apresentada, segundo a informação conhecida, comunicação prévia ou pedido de licenciamento à Câmara Municipal de Odemira.

A questão dos pagamentos permanece por esclarecer. Luís Neves tem defendido que o registo das faturas no portal e-fatura constitui comprovativo suficiente e afirmou que 90% das despesas com materiais foram liquidadas por transferência bancária ou multibanco.

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Essa explicação não abrange, porém, de forma inequívoca, o pagamento dos 5.000 euros faturados pela Construbarcelos, o que mantém dúvidas sobre a relação financeira entre a empresa da mulher do ministro e o empreiteiro.

Fonte oficial do Ministério da Administração Interna indicou que toda a documentação considerada relevante será reunida e disponibilizada quando a intervenção estiver concluída. Até lá, o ministério não prevê prestar novos esclarecimentos sobre o caso.

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