A desinformação sobre alterações climáticas na Europa aumentou em julho e as ‘fake news’ relativas à crise migratória de Ceuta ensombra agosto, de acordo com o segundo relatório mensal do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO).
“A desinformação detetada na Europa em julho seguiu um padrão recorrente, concentrando-se em torno de acontecimentos e crises que estavam em alta nos noticiários e, consequentemente, nas plataformas de redes sociais”, refere o documento do European Digital Media Observatory (nome em inglês).
As 30 organizações que integram a rede de verificação de factos da EDMO na União Europeia e na Noruega, e que contribuíram para este relatório, publicaram um total de 1.397 artigos de ‘fact-checking’ [verificação de factos] em julho.
Do total, 119 (8%) centraram-se na desinformação relacionada com a Ucrânia; 109 (8%) em desinformação relacionada com a imigração; 104 (7%) em desinformação relacionada com as alterações climáticas; e 97 (7%) em desinformação relacionada com a saúde (excluindo a Covid-19).
A desinformação relacionada com a União Europeia (UE) totalizou 87 artigos (6%); 39 (3%) foram relativos à crise na Palestina; 25 (2%) em desinformação sobre questões LGBTQ+ e de género; 22 (2%) em desinformação relacionada com a Covid-19; e 22 (2%) na guerra entre Israel/EUA e Irão.
“Durante o mês de julho, em linha com a tendência verificada nos meses anteriores, os dois temas mais visados pela desinformação foram a guerra na Ucrânia e a imigração, embora a proporção de notícias falsas sobre ambos os assuntos tenha registado uma queda de dois pontos percentuais em relação a junho de 2026”. Entretanto, “prevê-se um aumento da desinformação sobre a imigração em agosto, devido à crise em Ceuta iniciada a 30 de julho” deste ano.
Como é habitual no verão, “a proporção de notícias falsas e teorias negacionistas sobre as alterações climáticas tem aumentado”.
Ou seja, em julho “a percentagem de desinformação detetada sobre estes temas subiu três pontos, tornando-se o terceiro tema mais visado do mês”.
A quota de notícias falsas relacionadas com a UE também cresceu um ponto percentual e “parece estar em ascensão após a queda registada em março de 2026”, refere o relatório.
A proporção de desinformação sobre os restantes temas monitorizados nestes boletins “manteve-se estável, apresentando apenas pequenas oscilações”.
Segundo o documento, muitos dos acontecimentos não eram novos nem imprevisíveis, como “acontece frequentemente em verões marcados por ondas de calor”, onde “grande parte da desinformação concentrou-se nas alterações climáticas, disseminando o negacionismo e as teorias da conspiração, além de imagens descontextualizadas utilizadas como clickbait para exagerar os efeitos do calor”.
Em junho, a desinformação relativa ao Campeonato do Mundo de futebol FIGA já tinha sido viral, o que prosseguiu em julho, enquanto nos Balcãs Ocidentais, “como seria de esperar, o aniversário do genocídio de Srebrenica desencadeou novas vagas de desinformação”.
Contudo, nas últimas 48 horas de julho “uma crise inesperada alterou o cenário: a chegada de cerca de 70 mil migrantes de Marrocos ao enclave espanhol de Ceuta provocou uma enorme onda de desinformação na Europa, amplamente alimentada por conteúdos falsos que circulavam no próprio país africano”.
O observatório refere que no próximo relatório irá abordar a desinformação detetada em agosto e “poderá fornecer informações mais detalhadas sobre este fenómeno e as suas consequências”.
Embora a vaga migratória não tenha sido provocada “por um único agente — estrangeiro ou doméstico — com o objetivo específico de criar uma crise na Europa, é evidente que muitos atores aproveitaram imediatamente a situação para promover narrativas de desinformação alinhadas com os seus interesses: semear divisões, promover o extremismo, dividir as sociedades europeias, atacar adversários políticos, entre outras ações”, lê-se no relatório.
A EDMO sublinha ainda que, “com uma infraestrutura adequada — baseada na cooperação entre verificadores de factos de diferentes continentes e em robustas capacidades de monitorização —, fenómenos como este poderiam ter sido detetados antecipadamente e, talvez, até parcialmente evitados”.
A lista de organizações sediadas na UE que contribuíram para o relatório inclui 15min, AFP, APA – Austria Press Agency, CORRECTIV, Demagog.cz, Demagog.sk, Demagog.org.pl, Delfi Lithuania, Delfi Estonia, Dpa, DW, EFE Checks, Ellinika Hoaxes, Facta/Pagella Politica, Factcheck Vlaanderen, Fact-check Cyprus, Faktograf, Funky Citizens/Factual.ro, Greece Fact Check, Infoveritas, Källkritikbyrån, Lakmusz, Maldita.es, Newtral, Ostro, Polígrafo, Re:Baltica, TjekDet, The Journal, Verificat.
Outras organizações europeias que contribuíram também para o relatório: AFP, Belarusian Investigative Center, FakeNews Tracker (fakenews.rs), Dogruluk Payi, Faktoje.al, Geofacts, Istinomer.rs, Istinomjer, hibrid.info, Metamorphosis Foundation, Myth Detector, Raskrinkavanje.ba, Teyit, VoxUkraine














