As famílias das sete vítimas mortais, na sequência de um tiroteio numa escola secundária na Colúmbia Britânica, avançaram com processos judiciais contra a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman, acusando a empresa de não ter alertado as autoridades sobre comportamentos preocupantes do atacante detetados no ChatGPT.
De acordo com o The Guardian, os processos foram apresentados num tribunal federal em São Francisco e alegam que a empresa tinha conhecimento prévio das intenções violentas do autor do ataque, identificado como Jesse Van Rootselaar, de 18 anos.
Segundo a acusação, funcionários da OpenAI terão sinalizado a conta do jovem oito meses antes do ataque, considerando que existia uma ameaça “credível e específica” de violência armada contra pessoas reais. Ainda assim, em vez de contactar as autoridades canadianas, a empresa optou por desativar a conta.
Os autores dos processos alegam que membros da equipa de segurança terão recomendado informar as forças policiais, mas essa decisão terá sido rejeitada pela liderança da empresa. A informação baseia-se, em parte, em relatos de funcionários citados pelo The Wall Street Journal.
O tiroteio ocorreu a 10 de fevereiro na comunidade rural de Tumbler Ridge. O atacante entrou na escola com uma arma modificada, disparando sobre alunos e funcionários. Seis pessoas morreram no local e outras 27 ficaram feridas. Após o ataque, o jovem suicidou-se.
Antes disso, matou ainda a mãe e o irmão de 11 anos em casa.
Na escola, as vítimas tinham 12 e 13 anos e, também, uma assistente de ensino de 39 anos. Uma das sobreviventes, Maya Gebala, de 12 anos, sofreu ferimentos graves na cabeça e permanece hospitalizada, tendo já sido submetida a várias cirurgias.
Acusações graves contra a empresa
As famílias acusam a OpenAI de negligência, responsabilidade civil por morte, e até de facilitar o ataque. Os advogados indicam que este é apenas o primeiro conjunto de processos, podendo surgir mais duas dezenas de ações judiciais.
De acordo com o The Guardian, a OpenAI afirmou em comunicado que tem “tolerância zero” para o uso das suas ferramentas em atos violentos e garantiu ter reforçado os mecanismos de segurança, incluindo a deteção de comportamentos de risco e o encaminhamento de utilizadores para apoio psicológico.
Apesar de a conta inicial ter sido banida, o suspeito conseguiu criar um novo perfil na plataforma. A empresa afirma que só tomou conhecimento dessa segunda conta após o ataque, mas os processos alegam que o próprio sistema da OpenAI fornece instruções para regressar à plataforma após suspensão.
Após a tragédia, Sam Altman enviou uma carta à comunidade a pedir desculpa por não ter alertado as autoridades. Reconheceu a gravidade da situação, mas afirmou que pretende encontrar formas de evitar tragédias semelhantes no futuro.
Ainda assim, líderes locais consideraram o pedido de desculpas insuficiente face à dimensão da tragédia.
Debate crescente sobre responsabilidade das empresas de IA
Este caso surge num contexto de crescente escrutínio sobre o papel das empresas de inteligência artificial em situações de risco. Há outros processos semelhantes em curso, incluindo acusações de que chatbots incentivaram comportamentos autodestrutivos ou perigosos.
Segundo o The Guardian, este tipo de ações judiciais reflete uma tendência mais ampla de responsabilização de entidades por alegada inação em casos de violência, à semelhança do que já acontece com fabricantes de armas ou instituições públicas.
Entre as vítimas estão várias crianças, cujas famílias descrevem perdas irreparáveis. Um dos jovens mortos, Abel Mwansa Jr., de 12 anos, era descrito como um rapaz atento e dedicado à família. As suas últimas palavras, relatadas por um amigo sobrevivente, foram dirigidas aos pais: uma mensagem de amor.
A tragédia deixou marcas profundas em Tumbler Ridge e levanta questões urgentes sobre segurança, responsabilidade tecnológica e prevenção da violência.














