A escassez global de chips de memória está a colocar o mercado de smartphones sob forte pressão, com previsões de aumentos significativos nos preços já nos próximos meses. O impacto deverá ser particularmente sentido nos equipamentos de gama média e baixa, podendo mesmo levar ao desaparecimento destes segmentos, à medida que os consumidores são empurrados para modelos mais caros.
Segundo o Negócios, Francisco Jerónimo, vice-presidente de dispositivos da IDC, descreve o cenário como “uma crise como nenhuma outra no setor” e alerta para um verdadeiro “tsunami” nos preços, numa altura em que os efeitos da escassez ainda não são totalmente visíveis devido ao stock existente no mercado.
De acordo com o responsável, os preços médios globais dos smartphones deverão subir cerca de 14%, podendo atingir aumentos entre 20% e 30% nos equipamentos de gama média e baixa. “A média mundial para o aumento dos preços é de cerca de 14%, mas para tudo o que seja de média ou baixa gama o aumento andará entre os 20% e os 30%”, explicou, antecipando ainda uma quebra acentuada nas vendas a partir de finais de abril ou maio, quando os stocks atuais se esgotarem.
A subida mais acentuada nas gamas intermédias prende-se com a estratégia dos fabricantes, que procuram absorver parte dos custos nos modelos premium, onde as margens são maiores, ao mesmo tempo que incentivam os consumidores a subir de segmento. “Neste momento temos um grande ‘gap’ entre as gamas média e alta”, referiu Francisco Jerónimo, explicando que muitos consumidores poderão optar por modelos mais caros por diferenças relativamente reduzidas no preço final.
Entre as estratégias adotadas pelas marcas está também o aumento dos preços na gama média acompanhado da introdução de mais armazenamento, criando a perceção de maior valor para o consumidor, apesar de o principal fator de encarecimento ser o custo da memória. Ainda assim, fabricantes como a Xiaomi admitem que a escassez de chips RAM está a pressionar toda a cadeia de abastecimento, sublinhando que os preços refletem múltiplos fatores, desde custos logísticos a variações cambiais.
Também a Samsung e a Motorola reconhecem que o aumento dos preços dos semicondutores terá impacto global no setor, com consequências diretas para os consumidores. Nuno Parreira, responsável da Samsung em Portugal, admite que se trata de uma tendência transversal à indústria, enquanto Tiago Sá, da Motorola, antecipa uma “alteração muito grande no mercado”, com subida de preços e queda no volume de vendas, sobretudo nos equipamentos entre os 300 e 400 euros.













