Fim dos telemóveis baratos? Escassez de RAM pode disparar preços até 2027

Segundo o ‘El Economista’, a forte quebra na disponibilidade de chips de memória, aliada a uma subida abrupta dos preços, deverá ter impacto direto no consumidor

Francisco Laranjeira

Os preços dos smartphones poderão sofrer uma escalada significativa nos próximos trimestres devido à escassez de memória RAM, um componente essencial nos dispositivos móveis. A informação é avançada pelo ‘El Economista’, que cita dados da consultora ‘IDC’ e alerta para uma possível “crise sem precedentes” no setor tecnológico.

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Segundo o ‘El Economista’, a forte quebra na disponibilidade de chips de memória, aliada a uma subida abrupta dos preços, deverá ter impacto direto no consumidor. A IDC avisa mesmo que os preços praticados em 2025 “jamais serão repetidos”.

O principal fator de pressão é o aumento do custo dos chips DDR5 de 16 GB. De acordo com dados da IntuitionLabs citados pela publicação espanhola, o preço unitário passou de 6,8 dólares (cerca de 6,25 euros) para 27,2 dólares (cerca de 25 euros), mais do que triplicando no último trimestre de 2025.

A procura crescente por capacidade de processamento para alimentar centros de dados e aplicações de inteligência artificial terá criado um obstáculo na produção, desviando oferta para infraestruturas críticas e deixando os fabricantes de smartphones sob pressão.

Até agora, os produtos tecnológicos tinham escapado à inflação

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Entre 2020 e 2023, os preços dos telemóveis registaram uma queda líquida em Espanha, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) citados pelo ‘El Economista’. Em 2024 e 2025 verificaram-se aumentos de 2,3% e 3,1%, respetivamente, mas ainda assim abaixo da inflação registada noutros setores.

Esse cenário poderá mudar rapidamente. A IDC reviu em baixa a sua previsão de envios globais de smartphones para 2026: de uma estimativa inicial de 1,26 mil milhões de unidades para apenas 1,1 mil milhões. Esta correção sustenta a previsão de uma contração significativa do mercado.

“Uma mudança sísmica”

Nabila Popal, diretora de análise da IDC, afirma que o impacto desta crise poderá superar o das tarifas comerciais e até o da pandemia. “As tarifas e a crise da pandemia são uma piada em comparação com isto”, afirmou, citada pelo ‘El Economista’.

Segundo a responsável, o mercado de smartphones deverá atravessar uma “mudança sísmica” em termos de dimensão, preços médios de venda e equilíbrio competitivo. A normalização não é esperada antes de meados de 2027.

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E mesmo quando a oferta estabilizar, os preços não deverão regressar aos níveis anteriores. “Os dias dos telemóveis baratos acabaram. Não esperamos que os preços da memória RAM voltem aos níveis de 2025”, afirmou Popal.

Quem será mais afetado?

De acordo com a análise citada pelo ‘El Economista’, os modelos mais acessíveis deverão sofrer maior pressão, uma vez que operam com margens mais reduzidas. Marcas como Apple parecem estar mais protegidas, graças à sua posição premium e maior poder de negociação na cadeia de fornecimento.

Já fabricantes chineses como Xiaomi e Lenovo poderão enfrentar maiores dificuldades e terão mesmo alertado para a necessidade de subir preços em breve, segundo informações divulgadas pela ‘Bloomberg’.

Se as previsões se confirmarem, o mercado global de smartphones poderá entrar numa nova fase, marcada por preços mais elevados e menor volume de vendas — um cenário que rompe com a tendência de estabilidade e acessibilidade dos últimos anos.

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