A Rússia denunciou esta quarta-feira que pilotos de caças dos Países Baixos juntaram-se às Forças Armadas ucranianas, advertindo que passarão a ser considerados “alvos militares legítimos” pelas forças russas no contexto da guerra na Ucrânia.
A acusação foi feita pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, que enquadrou esta alegada presença no seguimento da cedência de 24 aviões de combate F-16 a Kiev.
Segundo Zakharova, “não é a primeira vez que se veem mercenários neerlandeses entre as fileiras das Forças Armadas da Ucrânia”. A responsável russa sublinhou que a situação atual ocorre depois da entrega dos F-16, acrescentando: “Agora, parece que os pilotos ‘fora de serviço’ se juntaram à lista de equipamentos”.
A formulação utilizada pela diplomata russa sugere que Moscovo encara a eventual participação destes pilotos como uma extensão do apoio militar prestado pelos Países Baixos a Kiev, inserindo-os no mesmo plano da transferência de material bélico.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi clara quanto às consequências que, segundo Moscovo, poderão advir dessa participação. “Qualquer especialista estrangeiro que participe em operações de combate contra as Forças Armadas da Rússia será considerado um alvo militar legítimo”, afirmou, acrescentando que “não cabe esperar clemência”, independentemente da forma como esses elementos estejam integrados nas forças ucranianas.
A declaração representa um endurecimento da retórica russa face ao envolvimento de cidadãos estrangeiros no conflito, colocando no mesmo patamar todos os que, na ótica do Kremlin, participem diretamente em ações militares contra as forças russas.
No mesmo contexto, Zakharova advertiu que os Países Baixos estão “cada vez mais implicados no conflito direto com a Rússia”. A diplomata defendeu ainda que “os mercenários estão fora do âmbito do Direito Internacional”.
“Não estão protegidos pelas Convenções de Genebra. Aconselhamo-los a ler os testemunhos de testemunhas oculares antes de se dirigirem para a frente”, acrescentou.
As declarações surgem num momento em que o apoio militar ocidental à Ucrânia continua a ser alvo de críticas severas por parte de Moscovo, que tem reiteradamente acusado vários países europeus e membros da NATO de alimentarem o conflito através do envio de armamento e assistência técnica.














