O novo presidente do Parlamento da Eslovénia, Zoran Stevanović, garante que não tem posições pró-Rússia, mas as suas primeiras declarações no cargo estão a gerar controvérsia. Entre os planos anunciados estão uma visita a Moscovo e a realização de um referendo sobre a eventual saída da NATO.
De acordo com o Euromaidan Press, Stevanović confirmou que pretende deslocar-se à capital russa “num futuro próximo”, defendendo a necessidade de “construir pontes com todos os países”, apesar das tensões entre o Ocidente e o Leste.
O novo líder parlamentar reafirmou também uma das principais promessas do seu partido, o Resni.ca: levar a votação popular a permanência da Eslovénia na NATO. Segundo o Euromaidan Press, Stevanović garantiu que o referendo será realizado, cumprindo o compromisso assumido antes das eleições.
Recorde-se que a Eslovénia aderiu à NATO em 2004, após um referendo em que 66% dos eleitores apoiaram a integração. Desde então, o país tem mantido uma política externa alinhada com o bloco ocidental.
Além disso, o político criticou as sanções impostas pela União Europeia à Rússia, classificando-as como um “autogolo” para os interesses europeus.
As declarações de Stevanović surgem num contexto político sensível. As eleições legislativas eslovenas de março de 2026 resultaram num impasse, com o Movimento Liberdade, liderado por Robert Golob, a conquistar 29 lugares, apenas mais um do que o partido SDS de Janez Janša.
Apesar de o partido de Stevanović ter apenas cinco deputados no parlamento de 90 lugares, conseguiu garantir a presidência da Assembleia com 48 votos de diferentes forças políticas.
Ao mesmo tempo, na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán foi afastado do poder após 16 anos, abrindo espaço a uma nova liderança liderada por Péter Magyar. Segundo o Euromaidan Press, este cenário pode reforçar o papel do primeiro-ministro eslovaco Robert Fico como aliado de posições mais próximas de Moscovo dentro da União Europeia, podendo agora contar com apoio político em Liubliana.
“Não sou pró-Rússia, sou pró-Eslovénia”
Apesar das críticas, Stevanović rejeita categoricamente a ideia de alinhamento com o Kremlin. O presidente do parlamento afirma que as suas posições são apenas orientadas pelos interesses nacionais.
Citado pelo Euromaidan Press, o responsável político declarou que não tem “quaisquer posições pró-Rússia, apenas pró-Eslovénia”, defendendo uma política externa independente e soberana. Acrescentou ainda que o país deve opor-se a qualquer interferência em conflitos militares ou diplomáticos externos.
Stevanović ganhou notoriedade durante os protestos contra as restrições impostas na pandemia de COVID-19. O seu partido, Resni.ca, é descrito como uma força populista de direita, eurocética e anti-vacinação, sendo atualmente a menor representação parlamentar.
Apesar das posições polémicas, o líder afasta a possibilidade de saída da União Europeia, reconhecendo que a Eslovénia beneficia da pertença ao bloco comunitário.
O seu passado inclui ainda uma condenação por tentativa de fraude em seguros, ocorrida há cerca de 25 anos, que resultou numa multa de 800 euros.





