O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, prometeu reforçar o controlo das fronteiras e manter uma política rígida contra a imigração ilegal, deixando claro que a sua vitória sobre Viktor Orbán não representará uma mudança de rumo em matéria migratória face à União Europeia.
Apesar de ter sinalizado a intenção de reaproximar Budapeste de Bruxelas, Magyar afastou a possibilidade de implementar o novo pacto europeu para as migrações e o asilo, que entra em vigor em junho e reformula profundamente as regras comuns da União nesta matéria.
O pacto europeu prevê uma revisão das regras de asilo e controlo de fronteiras, introduzindo mecanismos de triagem mais rápidos, procedimentos de retorno mais exigentes e um sistema destinado a redistribuir entre os Estados-membros a responsabilidade e os custos associados ao acolhimento de migrantes.
Contudo, numa intervenção em que mencionou a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, Magyar foi taxativo ao afirmar que a Hungria mantém uma política de imigração rigorosa e que “não aceitará qualquer pacto”. Acrescentou ainda que o país manterá a vedação na fronteira sul e irá “tapar os buracos que atualmente existem”.
“Queremos verdadeiramente proteger o nosso país e a Europa da imigração ilegal”, declarou o líder do partido conservador Tisza, sublinhando que a sua formação política “prosseguirá uma política rigorosa contra a imigração ilegal”.
Alívio na Europa, mas reservas entre analistas
A vitória de Magyar, que pôs fim a 16 anos de governação de Viktor Orbán, foi recebida com alívio por vários líderes europeus, tendo em conta o histórico de bloqueios de Budapeste às decisões de Bruxelas durante o anterior executivo.
Ainda assim, especialistas do International Crisis Group (ICG) alertam que as expectativas devem ser moderadas. Olga Oliker, diretora para a Segurança Europeia da organização, afirmou que “uma Budapeste mais alinhada com a UE tornará certamente as coisas mais fáceis”, mas recordou que Magyar “continua a ser cético quanto à integração da Ucrânia na União Europeia”.
A mesma responsável acrescentou que o novo líder húngaro “ainda não definiu a sua visão para o papel da Hungria nas coligações em evolução que estão a formar-se para resolver problemas”.
Também Marta Mucznik, analista sénior do ICG para a União Europeia, considerou que Magyar oferece esperança de que a tomada de decisões em matérias críticas para a UE e para a segurança europeia possa avançar sem obstrução persistente. No entanto, advertiu que “a UE terá ainda de se precaver contra dinâmicas semelhantes que possam surgir noutros Estados-membros ou países candidatos, ou mesmo persistir na própria Hungria, apesar da mudança de Governo”.
Campanha marcada por críticas à corrupção e à comunicação social
Durante a campanha eleitoral, que culminou com a conquista de uma supermaioria parlamentar pelo partido Tisza, Péter Magyar apresentou-se como alternativa à corrupção e às restrições à liberdade de imprensa associadas ao período de governação de Orbán.
Um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais mostra o agora primeiro-ministro eleito a criticar a televisão estatal por não lhe conceder tempo de antena. Na ocasião, prometeu pôr fim ao que descreveu como um monopólio mediático de estilo “norte-coreano” ligado a Orbán e acabar com “esta fábrica de mentiras”.
Formação do novo Governo e tensão com o Presidente
Magyar afirmou esperar que o Presidente da Hungria, Tamas Sulyok, lhe peça formalmente para formar Governo na sessão inaugural do parlamento, antecipando que o novo executivo possa tomar posse até meados de maio ou mesmo antes.
Apesar disso, o líder do Tisza tem também dirigido críticas ao chefe de Estado. Numa publicação tornada viral na rede social X, classificou Sulyok como “indigno de representar a unidade da nação húngara” e defendeu que, após a formação do novo Governo, o Presidente “deve abandonar imediatamente o cargo”.
Com uma supermaioria parlamentar e uma agenda que combina reaproximação institucional à União Europeia com firmeza na política migratória, Péter Magyar inicia funções num contexto de expectativas elevadas e vigilância atenta por parte de Bruxelas e dos parceiros europeus.




