O Papa Leão XIV lançou esta quinta-feira duras críticas a líderes mundiais que investem milhares de milhões em conflitos armados e acusou um “punhado de tiranos” de devastar o planeta, num discurso proferido em Bamenda, nos Camarões, poucas horas depois de ter sido novamente alvo de ataques nas redes sociais por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Naquele que foi um dos discursos mais contundentes desde o início do seu pontificado, o primeiro Papa norte-americano condenou o rumo seguido por dirigentes políticos que privilegiam a escalada militar em detrimento da paz e do diálogo.
Durante um encontro dedicado à paz com a comunidade de Bamenda, na Catedral de São José, Leão XIV afirmou que o mundo está “a ser devastado por um punhado de tiranos”, numa referência direta a governantes que, segundo o pontífice, continuam a apostar na confrontação armada.
O Papa criticou ainda líderes que “gastam milhares de milhões em guerras”, denunciando o contraste entre esses investimentos e as necessidades sociais urgentes que permanecem por satisfazer em várias regiões do mundo.
As declarações surgem num contexto de tensão política, depois de Donald Trump ter voltado a atacá-lo nas redes sociais, intensificando um confronto verbal que já tinha marcado anteriores momentos do seu pontificado.
Uso da religião para justificar conflitos
Além da crítica aos gastos militares, Leão XIV condenou explicitamente o recurso à linguagem religiosa para legitimar guerras. O pontífice censurou dirigentes que utilizam argumentos de fé como forma de justificar ações armadas, considerando essa prática particularmente grave.
No discurso proferido na maior cidade das regiões anglófonas dos Camarões, apelou a uma “mudança decisiva de rumo”, defendendo uma reorientação clara das prioridades políticas globais para a promoção da paz.
Discurso em região marcada por conflito prolongado
A intervenção do Papa teve lugar em Bamenda, no contexto de um encontro pela paz com a comunidade local. A região anglófona dos Camarões vive há quase uma década um conflito latente que já provocou milhares de mortos, tornando simbólica a escolha do local para este apelo.
Ao dirigir-se à população numa zona afetada por violência prolongada, Leão XIV reforçou a mensagem de que a resposta aos conflitos não pode passar pela intensificação das guerras, mas sim por uma alteração profunda da estratégia política internacional.



